22 de janeiro de 2020

Continuidade x Descontinuidade – Amor e Paixões

Continuidade x Descontinuidade – Estamos todos conscientes, segundo Dagmar O´Connor, do problema da apatia, da monotonia sexual, e estamos todos sabendo que fazer amor vibrando e desinibido com a mesma pessoa por toda a vida acabou se tornando o maior desafio sexual de nossas vidas. Acontece que o prazer feminino é diferente do prazer masculino. Estudos desenvolvidos no mundo inteiro provam isso. E conhecer essas diferença é importante para que algumas falsas expectativas não atrapalhem nossa vida sexual. Em seu livro A Mulher Sexualmente Feliz, o psiquiatra e psicanalista argentino J.C Kusnetzoff mostra muito bem essas diferenças. Veja o que ele diz: O homem é quase sempre instantâneo. Ele se dirige ao ato sexual na qualidade de “macho”. Vai transar para confirmar que é macho. E mede isso pela sua ereção. Quanto melhor a ereção, mais macho ele se sente. O homem avalia pela rigidez do pênis – e pelo tempo em que ela se mantém – a sua juventude, a sua segurança interior, a sensação de “dever cumprido”. A ereção é o centro de gravidade do seu ser. Claro que existem outras sensações, mas na maioria dos casos o caminho para a segurança masculina converge para a ereção e nela termina. O macho humano não se dirige à mulher para participar com ela do ritual mais antigo e poético da humanidade: o ato sexual. Dirigi-se a ela para se afirmar, para dizer a si mesmo “estou aqui”. Só depois de acontecer isso é que o macho se sente transformado em homem e se dispõe a participar com a mulher da troca recíproca de prazeres: centrado na ereção, o homem supõe não ser homem quando ela não se produz ou não corresponde ao que ele espera. A ausência da ereção precipita o macho no Nada sartriano. Uma angústia impossível de expressar em palavras e um medo ancestral, que vem lá do fundo da sua história, o invadem. Para o homem, o símbolo da masculinidade e do ser não é o pênis, e sim o pênis ereto. Nenhum homem pode se conceber como tal quando sua ereção falha, pois para ele a ereção é a sua essência. Muitas mulheres não conseguem entender o pânico, a terrível angústia mal dissimulada pelo acender nervoso de um cigarro ou por inumeráveis desculpas, quando o parceiro falha na ereção. Elas costumam se sentir depreciadas, por não poderem consolar, acariciar ternamente, acalmar com palavras hábeis.
O homem quer “curar-se” sozinho. Neste momento, deseja desaparecer magicamente voltar montado no pênis ereto como cavaleiro ressuscitado. Por sua vez, explica Kusnetzoff, a mulher, ao perceber que o homem está concentrado na ereção, sente-se excluída desse vínculo entre o homem e seu órgão sexual. Para poder se aproximar e atingir seu fim, o homem a acumula de agrado e elogios. Ele a faz se sentir uma pessoa desejada. Mas depois, vem a frustração: depois da ejaculação, ela sente que ele “desaparece” e também os abraços, as carícias e as palavras entrecortadas de ternura. Onde estão? O que aconteceu? O desejo da mulher é muito mais contínuo, permanece após o orgasmo. A mulher tende a sentir de modo duradouro. Por isso, fica magoada com o agastamento do homem, que fere a aspiração de continuidade. Enquanto o homem é parcial e vai “direto ao assunto”, a mulher é total, foge ao que é direto buscando o reconhecimento. Tudo o que é direto é sentido como agressão e o que é indireto, como uma exaltação ao cuidado e à consideração com o seu ser. O homem é nitidamente descontínuo.
A mulher tem profunda preferência pela continuidade. Para o homem, um orgasmo é um orgasmo. Para a mulher, o orgasmo é avaliado em relação ao antes e ao depois. Se não houver continuidade, embora havendo orgasmo, este pode não ter importância. A mulher é um ser tátil por excelência. Deseja carícias, agrados, ternura à flor da pele. Para a mulher, não há muita diferença, num determinado momento, entre emoção, sinceridade, doçura e erotismo. O homem tende sempre a separar sexo de amor. “Emoção é emoção, sexo e erotismo são outra coisa.” Para a mulher, que vive as experiências de forma total e contínua, isso não é impossível, mas é muito mais difícil.

(Extraído do Livro ” AMAR É PRECISO” , Maria Helena Matarazzo)

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