25 de fevereiro de 2020

    Ciúmes – Comportamento

    O ciúme faz parte dos estados sentimentais humanos. É saudável quando mantém acesa a chama do relacionamento. Precisa ser administrado com diálogo, avaliação da situação que incomoda, reflexão acerca de sua causa e do resultado que traz ao ser expresso ou suscitado. Mas, se descontrolado, provoca discórdia e põe em perigo a união.

    A mitologia grega descreve inúmeras interações de parceiros. Numa delas, é possível aprender com o ciúme doentio que Hera, a deusa do casamento, sente do marido Zeus, o senhor do Olimpo. Possessiva, a deusa procura controlar as ações do parceiro. Sufocado, ele se esquiva e busca alívio em relacionamentos extraconjugais. Quanto mais Hera o controla, mais Zeus se afasta e procura outras companhias. Enfurecida, ela cria suas próprias leis. Em vez de tentar compreender o motivo da desarmonia do casal, é implacável e mata ou deforma qualquer pessoa que tenha se envolvido com o marido ou seja suspeita disso.
    Sentir ciúme não é norma para os parceiros, mas, quando surge, é uma indicação de que se está envolvido e fragilizado em relação ao outro. O sentimento vem acompanhado pela tristeza e pela dor por ser fruto da crença de que se está perdendo o objeto de amor. Pode ser suscitado tanto por ameaça real quanto simbólica, esta última fruto de fantasias.
    Na fantasia, torna-se sentimento doentio, porque ocorre uma distorção da realidade, que passa a ser hiperdimensionada, levando o parceiro enciumado a crer que possui o outro e também a sentir-se ameaçado por pessoas da convivência dele. Regido por suposições equivocadas acerca do outro e sem saber administrar o que sente, descontrola-se e deixa-se embriagar por esse sentimento. Perde lucidez e cria uma ética própria que justifica mesmo as atitudes mais insanas.
    Isso ocorre porque, além de vir acompanhado de dor, o ciúme gera raiva e frustração. Na mitologia, Hera direciona sua raiva aos personagens que a ameaçam, assassinando-os ou ferindo-os, o que tem especial simbologia. Inconscientemente, pode-se fantasiar que, ao eliminar o objeto causador do sentimento de ameaça, elimina-se, com ele, a possibilidade da perda. A falsa crença é a de que, mediante o sumiço desse objeto, o relacionamento se estabilizará. Por outro lado, acredita-se que agredir o causador da desordem é uma maneira de sinalizar e infringir-lhe uma marca para que se lembre de não entrar “em território proibido”. Num ato de chantagem emocional, muitos impõem a dor a quem ameaça a relação – a terceira pessoa – para que, por meio dela, o outro parceiro também sofra e “se comporte como o esperado”.
    Em todos esses casos, o ciúme tem efeito letal, porque desvitaliza a união, abaixa a autoestima do casal e pode levar um dos parceiros ou ambos a cometerem atos passionais, verbais ou efetivos, muitos previstos em lei como passíveis de punição.
    Outra reação doentia quanto ao ciúme é, numa atitude de defesa por não saber lidar com o sentimento, ter relações superficiais ou evitar se envolver. O resultado é que a pessoa permanece só, seja por estar numa união com pouca troca, em que há solidão a dois, seja por estar sem companheiro.
    O ciúme saudável é aquele que mantém acesa a chama da relação amorosa. É bem administrado com diálogo, avaliação da situação que incomoda, reflexão acerca de sua causa e do resultado que traz ao ser expresso ou suscitado. Nesses casos, senti-lo é até benéfico para o casal e demonstrá-lo é nada mais que uma declaração de amor.

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