8 de abril de 2020

    Caretas – Tocantins

    OS MASCARADOS EM PORTUGAL

    Há dados históricos a respeito de uma festa, ainda hoje realizada em Portugal, chamada entrudo, onde só participavam homens usando máscaras, os caretos. Acontecia no Domingo gordo e na terça-feira de carnaval. Nestes dias de festa os caretos só paravam para matar a sede ou para combinar novas investidas à praça central onde a população local e os forasteiros se juntavam para assistir ao ritual. Nesse período o que prevalecia era a agitação e a indisciplina.
    Na festa do entrudo, a máscara conferia todo poder aos membros do grupo. Eles saíam às ruas e ditavam as regras dos acontecimentos. Ninguém conseguia se opor à ira dos caretos. Apenas mulheres vestidas de homens, ou vice-versa, eram poupadas da investida dos caretos. Estes se lançavam de assalto às moças, encostando-se a elas, desenvolvendo uma dança erótica, agitando a cintura e fazendo embater os chocalhos, que trazem pendurados. Nesse momento, o que se tinha a fazer era não resistir e deixar o corpo ser levado no balanço do ritual. Os caretos invadiam casas e adegas fazendo ecoar por toda aldeia o alarido de seus chocalhos.
    No Tocantins, percebe-se que houve uma transposição do uso das máscaras para diversas festas, como o entrudo, a cavalhada, a festa de nossa senhora do Rosário, em Monte do Carmo e a festa dos caretas em Lizarda e Angico.
    Os mascarados ou caretas como são chamados no Brasil, aparecem nessas festas com o mesmo intuito, ou seja, o de definir as regras das manifestações. Seja como um ponto de partida para o início das festividades, como acontece nas cavalhadas e na festa de Nossa Senhora do Rosário; no entrudo em Arraias definindo o ritmo da algazarra ou em Lizarda na proteção da quinta.

    O ENTRUDO

    Existem várias explicações para a origem do carnaval. Uma dessas versões diz que o carnaval tem origem no mundo cristão medieval, quando tinha um período de festas profanas que se estendia desde o dia de Reis até a quarta-feira de cinzas, quando inicia os jejuns da quaresma. Essa festa foi introduzida no Brasil pelos imigrantes das ilhas portuguesas da Madeira, Açores e Cabo Verde.
    Arraias, no sul do Estado do Tocantins, ainda, realiza esse folguedo carnavalesco que consiste em lançar uns nos outros água, farinha, tinta, etc.
    O entrudo de Arraias fazia-se com laranjinhas de parafina, espécie de bolinhas feitas de cera de abelha, com um orifício para enchê-las de água perfumada e depois atirar de surpresa nas pessoas. Com o tempo esse costume foi sendo transformado: a água perfumada foi substituída pela água pura e, às vezes, gelada, passando a ser jogada em pessoas do sexo oposto, numa verdadeira guerra dos sexos. Grupos de foliões saem às ruas ao som das sanfonas e outros grupos acompanhados pela banda da polícia militar. Os foliões batem de porta em porta à procura de pessoas para serem molhadas, aumentando o cordão carnavalesco do entrudo.

    A FESTA DOS CARETAS

    Os caretas são homens que usam máscaras confeccionadas em couro, papel ou cabaça com o objetivo de provocar medo nas pessoas. Participam, em Lizarda, da festa que acontece, tradicionalmente, durante a semana santa, na Sexta-Feira da Paixão.
    Monta-se um cenário, um semicírculo com pés de bananeira, chamado pelos caretas de quinta atrativa, onde se coloca pedaços de cana de açúcar. Neste se desenrola um verdadeiro espetáculo teatral. Os caretas perseguem com pinholas, uma espécie de chicote feito de sola ou trançados de palha de buriti, as pessoas que tentam invadir a quinta para roubar a cana. A proteção da cana pelos caretas pode ter relação com a crença da população de que no calvário de Jesus Cristo ele foi açoitado com pedaços de cana. Na encenação os caretas tentam impedir esse sofrimento. Faz parte dos caretas personagens como a catita e a égua. Catita é um homem trajando roupas femininas, é a mulher dos caretas, uma mulher vadia, que fica se oferecendo para os homens que estão assistindo a encenação e, enquanto estes ficam envolvidos, os caretas chegam e açoitam com seus chicotes os distraídos.

    A égua usa a roupa de um bicho muito feio. Este personagem pega a caveira de um animal que já morreu há algum tempo, prende a sua cabeça a um pau e amarra uma corda de maneira que puxando se abre e fecha a boca do animal. Com isso ameaça morder as pernas dos espectadores, assustando-os.
    Os caretas ficam observando quando morre um animal para escolher a caveira. O que mais diverte os presentes é a passagem da égua, devido ao mal cheiro e as mordidas do animal. D. Isolda, moradora de Lizarda, diz que todo mundo assombra, mas se diverte.
    A diversão e o medo estão presentes no decorrer de todo o evento. Isso aparece também quando alguém tenta roubar a cana. Só os bons corredores escapam. E continuam as tentativas de roubar a quinta e as surras de pinhola até a madrugada de Sábado da Aleluia.

    Fonte de texto: Site do Governo do Estado de Tocantins.

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