17 de janeiro de 2020

As crenças Afro-Brasileiras – Religiões

As crenças Afro-Brasileiras 03 – Os preceitos:
a) Cerimônias Privadas: como o próprio nome indica são os rituais realizados pelos membros do terreiro sem a participação do público. Normalmente acontecem como preparação para os cultos abertos à assistência. Destas cerimônias, fazem parte a preparação e a oferenda de comidas para os santos e os sacrifícios ritualísticos.
b) Ebós: são as oferendas para os orixás. Geralmente são comidas, nas quais se incluem os animais sacrificados para esse fim.
c) Incorporação: durante os rituais são entoados cânticos de louvor aos orixás. Normalmente, as letras dessas cantigas ressaltam as características de cada divindade, e destinam-se a invocá-las. Costuma-se entoar de três a sete cânticos para cada entidade objetivando sua incorporação pelas filhas-de-santo a ela consagradas. Dessa forma, as filhas de Iansã incorporam Iansã, as de Oxalá, recebem Oxalá e assim por diante. Depois de todas as filhas (e filhos) de santo estarem incorporados e devidamente paramentados, eles dançam em volta no barracão, ao som dos cantos e dos atabaques, e assim os orixás asseguram sua proteção a seus descendentes.
d) Jogo de Búzios: oráculo utilizado como canal de comunicação entre os homens e os deuses. É comandado por Ifá, o orixá da adivinhação e senhor do conhecimento dos destinos.
e) Quizilas: coisas que desagradam aos orixás. Nesse grupo, se incluem certos tipos de alimentos, além de cores, perfumes e uma infinidade de elementos. Por exemplo: o sangue, segundo a lenda, é a quizila de Xangô.
f) Obrigações: de tempos em tempos, o seguidor do Candomblé tem o dever de prestar certas homenagens e de fazer oferendas para seus orixás, assegurando, assim, os seus favores e proteção.
g) Raspagem: é a Iniciação efetuada no Candomblé. O aspirante a adepto é submetido a uma série de processos ritualísticos, entre os quais se inclui a completa raspagem de sua cabeça e seu recolhimento à camarinha, onde permanecerá durante um período preparatório. No dia de sua saída, é dada uma festa (a chamada Saída de Santo), e a partir dessa ocasião o filho (ou filha) de santo torna-se capacitado a incorporar seu orixá durante os trabalhos.
Objetos de um terreiro de Candomblé: 
>Agogô – Sineta de ferro dupla, que é acionada pelo alabê para dar início à cerimônia.
>Atabaques (rum, rumpi e lé) – Instrumentos musicais tocados durante as cerimônias por filhos de santo designados especificamente para essa função.
>Barracão – É o salão onde são realizados os rituais, inclusive as cerimônias abertas ao público. 
>Camarinha – Pequenos compartimentos espalhados pelo terreiro, à semelhança de quartinhos, dentro dos quais os filhos e filhas de santo se recolhem por ocasião de sua iniciação.
>Peji – Altares das Divindades. Nos pejis são depositadas as oferendas.
Hierarquia do Terreiro:
>Alabê – Responsável pelos atabaques e pelo toque do agogô, que marca o início dos trabalhos. 
>Axoguns – São os filhos-de-santo encarregados de executar os serviços sacrificiais. Trabalham sempre sob a supervisão do Babalorixá ou da Ialorixá responsável pela casa. 
>Babalorixá – Chamado também de zelador do terreiro ou pai-de-santo, é o dirigente dos trabalhos. Ele é o responsável pelos trabalhos espirituais realizados na casa. Aplica-se essa expressão somente para o sexo masculino. 
>Ekede – É uma espécie de monitora nos cultos do Candomblé. Durante os rituais, ela conduz as iaôs incorporadas até seus respectivos pejis, e as paramenta com as roupas e as armas correspondentes ao orixá incorporado.
>Ialorixá – Exatamente a mesma coisa que Babalorixá, mas do sexo feminino. Também é chamada de mãe-de-santo ou zeladora. 
>Iaôs – Filhas-de-santo, que entoam os cânticos de louvor aos orixás e dançam em roda, durante os trabalhos. Em geral, são entoadas de três a sete cantigas para cada orixá. Quando a entidade “desce”, incorpora-se nas iaôs correspondentes. Vale ressaltar que as iaôs repartem entre si todas as atividades realizadas no terreiro, inclusive limpeza, preparação das oferendas, etc. 
>Ogans – Filhos-de-santo encarregados de garantir a manutenção do terreiro, por meio de contribuição financeira ou de algum benefício obtido através de seu prestígio pessoal. São sempre designados pelo responsável da casa. Cabe ao Conselho de Ogans garantir a subsistência material do terreiro. 
>Pai-pequeno (ou mãe-pequena) – Assistente direto do Babalorixá ou da Ialorixá.
2 – O CULTO VODU ou VODUN
Originou-se entre os negros do Daomé (atual Benin) e seus fundamentos principais são: a incorporação dos próprios deuses pelos fiéis e a invocação dos espíritos dos antepassados, com o objetivo de se fazer consultas através de oráculos. Esse culto ganhou grande popularidade no Haiti, onde recebeu os contornos de uma religião afro-cristã recheada de mitos supersticiosos e demonstrações exageradas de força e poder.
Essa crença não é tão popular no Brasil, quanto o Candomblé e a Umbanda, mas conta com um bom número de adeptos, principalmente em São Luis do Maranhão, onde, em 1796, foi fundado pelos negros fons o culto Mina Jeje. A família real Fon trouxe consigo o culto às divindades (voduns, equivalentes aos orixás) e à Serpente Sagrada, denominada Dan (correspondente ao orixá Oxumaré). A nomenclatura correta para a nação Jeje seria Ewe-Fon. Em seu dialeto, a casa de Candomblé é denominada kwe, e segundo sua tradição, ela deve ser construída em meio à floresta, numa área repleta de árvores sagradas e rios. Essa grande área é chamada de Runpame, que significa “fazenda”.
Na tradição Jeje os animais também ocupam papel de destaque. Em alguns cultos os voduns são identificados com certas espécies de animais: gavião, elefante, leopardo, crocodilo, pantera, etc. No Maranhão, a sacerdotisa, que corresponde à mãe-de-santo do Candomblé, é chamada de Noche. Quando o homem ocupa este cargo, recebe a denominação de Toivoduno.
A mais famosa Noche da História do culto vodu maranhense foi Mãe Andresa. Acredita-se que tenha sido a última princesa de linhagem direta da família real Fon. Morreu em 1954, aos 104 anos de idade.
Alguns Deuses voduns: a) Ayzan – Vodun da nata da terra; b) Sogbô – Vodun do trovão; c) Aguê – Vodun da folhagem.

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