30 de março de 2020

    Antidepressivos para outros Males – Corpo e Saúde

    O que têm em comum mulheres com tensão pré-menstrual, pacientes com câncer e gente que quer parar de fumar? Resposta: todos podem ser tratados com antidepressivos. A descoberta de uma nova família desses medicamentos, menos agressiva para com o organismo, ampliou seu uso com resultados satisfatórios.

    Antidepressivos para outros Males – Os antidepressivos influenciam a neurotransmissão (conexão entre as células nervosas). Eles atuam principalmente na liberação de três substâncias químicas cerebrais: a serotonina, a noradrenalina e a dopamina, que fazem a ligação entre os neurônios. A cada conexão, parte dos neurotransmissores é destruída por enzimas, outra é transmitida para a célula seguinte e o restante volta para o lugar de onde saiu, num processo chamado recaptura. O papel dos antidepressivos é melhorar essa relação. Mas a medicina ainda não possui dados de que esse seja o único fator responsável pelo efeito terapêutico dos antidepressivos. Entre os vários tipos de antidepressivos existentes, destacam-se os inibidores seletivos de recaptura dos neurotransmissores, considerados mais modernos, e os tricíclicos, de uma geração anterior, porém ainda mais bastante utilizados.
    Aplicações inesperadas – Considerados uma medicação versátil, os antidepressivos estão sendo empregados no tratamento de diversas doenças, que podem ou não ter relação com problemas psíquicos. Por isso, é aconselhável o acompanhamento de vários especialistas, entre eles o psiquiatra.
    Dor de cabeça: As drogas, em especial a amitriptilina, alteram o mecanismo da serotonina e das aminas (outro tipo de neurotransmissor) e previnem a dor.
    Dor crônica: O desgaste psicológico provocado pelo sofrimento contínuo faz com que pacientes com câncer também fiquem deprimidos. “Nesse caso, o medicamento age em duas frentes, pois, além de ajudar a aliviar a dor, combate a depressão”, explica o psiquiatra Renério Jr., de São Paulo. Entre as substâncias mais indicadas estão a sertralina, a venlafaxina e a amitriptilina.
    Ejaculação precoce: A imipramina e a clomipramina retardam a ejaculação, melhorando o desempenho sexual masculino.
    Fibromialgia: Para atenuar as dores generalizadas pelo corpo, a fadiga crônica, o sono não restaurador e o formigamento das mãos e dos pés, utilizam-se a amitriptilina e a sertralina.
    Parar de fumar: O bupoprion age sobre a dopamina e diminui a carência de nicotina.
    Sintomas gástricos: São eficazes no combate a dores abdominais, azia e úlcera. Todos os tipos podem ser utilizados.
    TPM: Fluoxetina, sertralina e citalopran são os mais receitados para mulheres que apresentam sintomas emocionais na tensão pré-menstrual, como choro, tristeza e irritabilidade. Aquelas que têm apenas inchaço, dor nas mamas ou cólicas não se beneficiam.
    Distúrbios psiquiátricos – Além de ajudar nos casos de depressão propriamente dita, os antidepressivos estão sendo utilizados com sucesso no tratamento de outros problemas relacionados à psiquiatria, como síndrome do pânico, transtorno obsessivo-compulsivo e ansiedade generalizada. Como diminuem a ansiedade, também apresentam bons resultados na terapia de transtornos alimentares, como bulimia e comer compulsivo, em que a pessoa não consegue se controlar diante da comida. Isso tem feito com que mulheres que desejam perder peso acabem recorrendo a essas drogas de modo imprudente. “Tomar antidepressivos para emagrecer é fazer mau uso do medicamento”, alerta o psiquiatra Táki Cordás, de São Paulo. Segundo ele, esses remédios não são indicados para quem quer perder poucos quilos.
    Menos desconforto – Na maioria dos casos, os efeitos colaterais causados pelos novos antidepressivos são suaves e surgem no início do tratamento. Boca seca, náusea, cólicas, diarréia, dor de cabeça, insônia, agitação, tremores, diminuição da libido, retardo do orgasmo e ganho de peso são as principais queixas, quase sempre controláveis.
    A hora de parar – Um medo comum entre as pessoas que precisam tomar antidepressivos é o de ficar dependente do remédio. A decisão de encerrar o tratamento, que costuma ser longo, deve ser tomada com o médico. “Não é recomendável interromper a medicação ao primeiro sinal de melhora. Quando o remédio é retirado antes do tempo, o índice de recaída é de quase 100%”, explica Joel Rennó.
    Pergunte ao médico – Antes de iniciar o tratamento, esclareça os seguintes pontos:
    O antidepressivo vai alterar a qualidade do meu sono?
    A medicação pode me deixar sonolenta ou agitada?
    Vou ficar menos ansiosa?
    O remédio vai afetar minha vida sexual?
    Há possibilidade de eu vir a engordar?
    Posso tomar o remédio para emagrecer?
    Bebidas alcoólicas são permitidas?
    Quando vou começar a me sentir melhor?

    Sobre o Autor

    O despertar da Consciência é nosso sistema de publicação automático dos conteúdos.

      Postagens Relacionadas