23 de fevereiro de 2020

    Adoção humanitária – Crianças


    Em vez de esperar anos na fila para adotar um bebê, as famílias estão optando por crianças mais velhas, de raças diferentes da delas ou portadoras de doenças. É a adoção humanitária, que resolve o problema da criança sem lar e não do casal estéril.

    Adoção humanitária – Uma revolução silenciosa está mudando a cabeça dos brasileiros interessados em adotar. Cada vez mais gente tem optado por meninas e meninos crescidos, de raças diferentes e mesmo portadores de doenças como a Aids. São pessoas que não levam em conta o sexo das crianças e se mostram dispostas a abrigar de uma só vez dois ou mais irmãos. Até pouco tempo atrás, quase todos os casais escolhiam recém-nascidos, se possível meninas de pele clara e olhos azuis. 
    São poucas as estatísticas, mas há pelo menos uma pesquisa confiável atestando a reviravolta. Em 1999, a psicóloga Lídia Natália Weber, professora da Universidade Federal do Paraná e uma das maiores especialistas no Brasil no assunto, finalizou entrevistas com 1000 casais que haviam adotado entre 1996 e 1999 e constatou que 35% agiram pensando em ajudar a criança – e não em resolver o problema de infertilidade. A pesquisadora descobriu também que 14% foram adoções tardias (crianças com mais de 2 anos) e 25% inter-raciais; 0,5% apresentava problemas graves de saúde. “O Brasil começa a viver uma nova cultura: é o menor abandonado que tem direito a uma família, e não o casal estéril que tem direito a um bebê”, observa Lídia. É uma boa notícia em um país onde, não faz muito tempo, as famílias até mudavam de cidade depois de adotar uma criança na tentativa de encobrir a adoção. O assunto era sussurrado pelos cantos da casa e o drama de contar ou não atormentava os casais durante anos.
    Pelas contas do Ministério da Justiça, existem cerca de 200.000 crianças e jovens de até 18 anos internados em instituições em todo o país. Para quem trabalha com adoção, o número pode chegar a 1 milhão. Mesmo assim, futuros pais se dispõem a enfrentar filas de até 5 anos. “A maioria ainda deseja um bebê branco, com no máximo 3 meses”, esclarece Lídia Weber. É justamente aí que as coisas estão mudando. Depois de várias tentativas frustradas de engravidar, um casal de executivos paulistanos decidiram recorrer à adoção. A esposa já tinha preparado o enxoval do bebê quando uma assistente social lhe propôs que conhece as gêmeas Iva e Elen, na época com 5 anos, George, 3 e Thiago2 – irmãos afastados da família verdadeira porque eram agredidos pelos pais. Ela relutou, mas acabou concordando. Resumindo, na casa enorme onde moravam, antes silenciosa, a presença das quatro crianças provocou alvoroço e mudou para melhor a vida do casal.
    Adotar crianças mais velhas tem vantagens. A principal é que já sabem de seu passado e os pais adotivos não passam pelo estresse de decidir como e quando contar. O novo filho já chega com traços e personalidade mais definidos, enquanto o bebê é uma caixa de surpresas. além disso, tem consciência de que está trocando uma situação ruim por outra muito melhor. De acordo com a pesquisa de Lídia Weber. 95% das adoções tardias deram certo.

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