17 de fevereiro de 2020

A versátil Carnaúba – Curiosidades e Informações


A carnaúba, uma versátil palmeira nordestina usada para fazer desde casas até cosméticos,
ingressa na era da informática.
Sua cera foi parar dentro dos chips de computador.

A versátil Carnaúba – Nas tórridas terras em que cresce, ela é conhecida como a “árvore da vida”, aquela que tudo provê. Não é para menos. A brasileiríssima carnaúba tem um monte de utilidades. Seu tronco, que chega a 15 metros de altura, é usado na construção de casas. Com a polpa da fruta se faz farinha. A amêndoa, torrada e moída, produz uma bebida conhecida como cafezinho da carnaúba. Quase toda exportada, a cera extraída das folhas, entrou até nos chips dos computadores, funcionando como isolante elétrico. Somente no ano de 1997, o Brasil, único produtor mundial, vendeu uma tonelada para empresas de informática do Japão.
O ouro não era a única carga preciosa que as caravelas portuguesas levavam do Brasil no Século XVIII. Usada para fazer as velas que iluminavam as casas da nobreza européia, a cera de carnaúba transformou-se, já naquela época, em um dos principais produtos brasileiros de exportação. O consumo aumentou nos séculos seguintes e atingiu o auge nos anos 50, quando saíam das folhas da planta quase 100 mil toneladas de cera, usadas para fazer papel carbono e graxa para sapatos, impermeabilizar metais e na fabricação dos falecidos discos de vinil.
A partir daí começou a crise, pois a demanda continuou crescendo, mas não havia mais palmeiras nativas em quantidade suficiente para dar conta do recado. Isso fez com que o produto fosse substituído aos poucos por outros, derivados do petróleo. Embora com menos qualidade, esses eram mais baratos. Assim, muitos empresários abandonaram a cera natural. Nenhum se preocupou em cultivar a palmeira. Ainda hoje ninguém quer plantar a árvore e esperar 10 anos, que é o tempo que ela leva para começar a produzir cera. Sempre explorando matas nativas, a produção atual caiu para 18 mil toneladas anuais, quase tudo exportado para os Estados Unidos, Japão e Alemanha.
O Brasil também deixa de ganhar dinheiro com a carnaúba devido aos métodos de extração rudimentares. Cortadas manualmente, as folhas secam ao sol e são batidas para a retirada do pó branco que, derretido, vira uma pasta, comprada pelas indústrias para ser purificada e exportada. Na primeira fase do processo, feita pelos pequenos produtores rudimentarmente, perde-se até 40% do material.
A seguir, além das já citadas utilidades, veja onde mais se encontra presente a cera desta tão versátil árvore:
a) Cera high-tech – por não conduzir energia elétrica, a cera vem sendo usada como isolante em chips. Além disso, ela pode ser aplicada em outras partes do computador, protegendo-as contra a umidade:
b) A resistência do batom ao calor é obtida acrescentando-se a cera à sua composição. Por isso, mesmo sob alta temperatura (a cera só se derrete acima de 84 graus Celsius), o cosmético mantém a resistência;
c) No balcão da farmácia – a carnaúba forma um revestimento sobre os comprimidos para evitar a umidade. É também usada na fabricação de cápsulas de remédios;
d) A aplicação mais comum é no polimento de assoalhos, móveis e carros. Das ceras vegetais e animais, a de carnaúba é a mais resistente e com brilho mais intenso;
e) Vários vernizes carregam a carnaúba na sua fórmula. Uma das mais recentes aplicações é em tintas térmicas que facilitam a leitura de códigos de barras, tão em uso atualmente;
f) Antes de serem exportadas, frutas como a manga e maçã são cobertas com cera, o que evita a perda de água, mantém a qualidade e dá brilho. Sem gosto ou cheiro, não dá para perceber a cobertura.
Onde fica a Carnaubalândia? A planta é nativa em três estados brasileiros: Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte.

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