28 de março de 2020

    A felicidade não é deste mundo – Religiões

    A felicidade não é deste mundo – Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim! exclama geralmente o homem em todas as posições sociais. Isso, meus caros filhos, prova melhor do que todos os raciocínios possíveis a verdade desta máxima do Eclesiastes: “A felicidade não é deste mundo.” Com efeito, nem a fortuna, nem o poder, nem mesmo a juventude florescente, são as condições essenciais da felicidade; digo mais: nem mesmo a reunião dessas três condições tão desejadas, uma vez que se ouvem sem cessar, no meio das classes mais privilegiadas, pessoas de todas as idades se lamentarem amargamente da sua condição de ser.
    Diante de tal resultado, é inconcebível que as classes laboriosas e militantes invejem com tanta cobiça a posição daqueles que a fortuna parece ter favorecido. Neste mundo, qualquer coisa que se faça, cada um tem a sua parte de trabalho e de miséria, seu quinhão de sofrimento e de decepções. De onde é fácil chegar à conclusão de que a Terra é um lugar de provas e expiações.
    Assim, pois, aqueles que pregam ser a Terra a única morada do homem, e que só nela, e numa só existência, lhe é permitido atingir o mais alto grau das felicidades que a sua natureza comporta, iludem-se e enganam aqueles que os escutam, já que está demonstrado, por uma experiência arqui-secular, que este globo não encerra senão excepcionalmente as condições necessárias à felicidade completa do indivíduo.
    Em tese geral, pode-se afirmar que a felicidade é uma utopia, na busca da qual as gerações se lançam sucessivamente sem poder jamais alcançá-la; porque se o homem sábio é uma raridade neste mundo, o homem absolutamente feliz nele se encontra menos.
    Aquilo em que consiste a felicidade sobre a Terra é uma coisa efêmera para aquele que não age sabiamente que, por um ano, um mês, uma semana de completa satisfação, todo o resto se escoa numa sequência de amarguras e decepções; e notai, meus caros filhos, que falo aqui dos felizes da Terra, daqueles que são invejados pelas multidões.
    Consequentemente, se a morada terrestre está destinada às provas e à expiação, é preciso admitir que existem alhures moradas mais favoráveis onde o Espírito do homem, ainda aprisionado numa carne material, possui em sua plenitude os prazeres ligados à vida humana. Por isso, Deus semeou no vosso turbilhão esses belos planetas superiores para os quais os vossos esforços e as vossas tendências vos farão gravitar um dia, quando estiverdes suficientemente purificados e aperfeiçoados.
    Todavia, não deduzais de minhas palavras que a Terra esteja dedicada para sempre a uma destinação penitenciária; não, certamente! porque dos progressos realizados podeis deduzir facilmente os progressos futuros, e dos melhoramentos sociais conquistados, novos e mais fecundos melhoramentos. Tal é a tarefa imensa que deve realizar a nova doutrina que os Espíritos vos revelaram.
    Assim, pois, meus caros filhos, que uma santa emulação vos anime, e que cada um dentre vós despoje energicamente o homem velho. Deveis tudo à divulgação deste Espiritismo que já começou a vossa própria regeneração. É um dever fazer vossos irmãos participarem dos raios da luz sagrada. À obra, pois, meus bem-amados filhos! Que nesta reunião solene, todos os vossos corações aspirem a este objetivo grandioso de preparar, às novas gerações, um mundo em que a felicidade não será mais uma palavra vã. (François – Nicolas – Madeleine, cardeal Morlot, Paris, 1863).

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