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Se o antibiótico não está fazendo mais efeito, a culpa é nosssa, saiba porque

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Os antibióticos se dividem de acordo com a capacidade e forma de ação. Alguns são bactericias ou seja, matam a bactéria ao entrar em contato com elas.

Desde criança, a servidora pública Marise Aragão, 34 anos, convive com amigdalites, recorrendo muitas vezes a antibióticos para se tratar. Em agosto, no entanto, ela foi surpreendida por uma crise mais severa da doença. A injeção de penicilina, até então eficiente para sanar os sintomas, não fez o efeito desejado. A sugestão médica de um segundo antibiótico também não teve sucesso e ela precisou ser internada por cinco dias para receber doses intravenosas de um terceiro medicamento.
No hospital, informaram que a dificuldade para combater a infecção, aparentemente simples, poderia ter sido provocada pela interrupção de tratamentos com antibióticos no passado. "Fiquei bastante apreensiva, a ponto de ter medo de me expor novamente a alguma bactéria e precisar ser internada outra vez", relembra. Marise admite já ter abandonado ciclos de tratamento após surgirem os primeiros sintomas. "Hoje, não repetiria mais esse erro", garante.
As superbactérias nada mais são que resultados de ações como essa. A resistência surge quando o microorganismo entra em contato com doses reduzidas do medicamento. As bactérias assimilam o princípio ativo e criam imunidade ao remédio - o mesmo que ocorre quando nos vacinamos contra um vírus, por exemplo. O infectologista Gustavo Romero, diretor do Hospital Universitário de Brasília, explica que nem sempre o problema está no poder de agressão da bactéria em si, e sim na debilidade provocada pelo processo infeccioso no sistema imunológico. "Com menos defesas, ficamos mais suscetíveis a doenças oportunistas, que podem ser bem mais nocivas que a própria infecção", alerta.
A automedicação toma-se prática de risco epidemiológico, ou seja, capaz de produzir danos para outras pessoas da sociedade. O risco, segundo Romero, não está só na compra do remédio sem critérios médicos, mas também na interrupção de ciclos ou no uso de doses menores numa tentativa de atenuar efeitos colaterais. "São esses hábitos que tornam antibióticos obsoletos. Quanto mais exposto de forma errônea, menor se toma o efeito do medicamento de forma global."

UM REMÉDIO PARA CADA CASO

• Os antibióticos se dividem de acordo com a capacidade e forma de ação. Alguns são bactericias ou seja, matam a bactéria ao entrar em contato com elas. Outros são chamados de bacteriostáticos, por isolarem o poder de ação das bactérias ao interferir nas reações metabólicas do microorganismo.
• A estratégia de combate pode ser feita de diversas formas. Alguns, como a penicilina, tentam destruir parede celular. São mais rápidos e agressivos e, conseqüentemente, acabam produzindo mais efeitos colaterais sobre o paciente. Outros, como a azitromicina, infiltram-se na célula e agem sobre, síntese de proteínas da bactéria, contendo a reprodução até que todas morram. Há ainda um terceiro grupo que age sobre o DNA do microorganismo para que ele perca a ação de ata É o caso da levofloxacina, usada em infecções pulmonares. O uso dos medicamentos que oferece mutação genética nas bactérias ainda é questiona por alguns médicos, que temem algum tipo de mutação no DNA do paciente.
• Pesquisadores da Universidade do Texas criaram recentemente um antibiótico que pode inovar no ataque. Ele é, na verdade, um antiinfectivo que "cega bactéria, não a deixa perceber que está em um organismo hospedeiro e a impede de agir. Evita, assim, a doença sem eliminar a bactéria. Outra vantagem é o baixo conteúdo tóxico. Nos testes, até agora, mostrou-se incapaz de afetar mamíferos. Para chegar a esse resultado, os pesquisadores testaram uma a uma, mais de 150 mil moléculas.

FAMÍLIAS PERIGOSAS


Staphylococcus: por ter alto poder de mutação genética, é uma das bactérias que mais preocupam. Algumas amostras (cepas) são resistentes a praticamente todos os antibióticos existentes no mercado. Manifesta-se principalmente em pneumonias e sepse (infecção do sangue).

Enterococcus:
com forte poder de infecção, também tem cepas cujo controle só pode ser feito por um tipo de antibiótico. Provoca principalmente a sepse.
Acinetobacter: o grupo é altamente agressivo, podendo desenvolver infecções em diversos órgãos. É um dos agentes que provocam a meningite.

Pseudomonas: respondem por infecções recorrentes, consideradas a princípio de baixo poder ofensivo. Quando resistentes, se transformam em oportunistas, debilitando o sistema imunológico e favorecendo o surgimento de outras doenças.


O MECANISMO DA RESISTÊNCIA


Algumas bactérias são naturalmente mais resistentes que outras. No entanto, a ação farmacológica interfere diretamente na capacidade de algumas de se fortalecer.

• Antibióticos funcionam em ciclos, que consistem no tempo necessário de exposição à droga para que todos os microorganismos-alvo possam ser mortos. A dose do remédio age como uma carga, que precisa ser dosada de acordo com a capacidade ofensiva e de resistência da bactéria.

• Quando interrompemos o ciclo antes do previsto, logo que cessam os sintomas da doença, é natural que algumas bactérias se mantenham vivas. Elas vão entrar em contato com cargas menores do remédio e vão se tornar imunes ao princípio ativo. O mesmo ocorre quando opaciente reduz, por conta própria, a dose prescrita pelo médico: as bactérias mais fracas da colônia vão morrer, mas as que sobreviverem ficarão muito mais fortes.

• Pesquisadores da Escola Médica de Harvard descobriram que algumas bactérias não só toleram, mas se alimentam de antibióticos. O estudo, publicado na revista Sdence, aponta para um alto grau ofensivo atingido por esses microorganismos. Se outras desenvolverem esse mesmo mecanismo, o uso de alguns remédios pode ser restringido.

• A resistência se forma de diversas maneiras. Algumas bactérias conseguem expelir o medicamento. Outras usam enzimas para inativá-los. Há ainda as bactérias que mudam de forma para que o antibiótico não consiga se "encaixar".

• Fortalecidas, as bactérias costumam permanecer pacificamente no organismo, até surgimento de uma nova infecção por microorganismos de outra espécie. Quando se inicia um novo combate para conter a infecção resistentes passam a se multiplicar, aproveitando o espaço vazio deixado pelas mais fracas, na medida em que morrem.

• Quando uma bactéria se torna resistente a determinado antibiótico, ela pode repassar essa qualidade às demais que a cercam, sendo ou n da mesma família. Uma única pode imunizar centenas que a cercam. A troca de material genético faz com que a velocidade de ineficiência de um determinado antibiótico avance em ambientes favoráveis ao diálogo de bactérias, como em hospitais.

COMO AGE UM ANTIBIÓTICO

1) Diversas partes de nosso corpo hospedam milhares de tipos diferentes de microorganismos, além daqueles com os quais entramos em contato a cada dia. Muitos deles são bactérias. Elas convivem conosco de forma pacífica, sob o controle do sistema imunológico.

2) Quando há uma falha nesse mecanismo de controle, essas bactérias passam a se reproduzir rapidamente.
Primeiro, o organismo tenta controlar esse processo com mecanismos naturais (maior vascularização, aumento da temperatura etc.). Surge uma inflamação.

3) Se a inflamação não é capaz de conter a proliferação das bactérias, o quadro evolui para uma infecção.

4) Além do exame clínico e do histórico do paciente, o processo é confirmado a partir de exames de sangue e culturas, que identificam o tipo exato de bactérias que promovem a infecção.
O processo laboratorial é indispensável para definir a necessidade do uso de antibiótico, além da escolha do medicamento, tempo de tratamento e dosagem mais adequados. Com esses critérios, é possível escolher a droga capaz de chegar com mais eficiência no foco de infecção, com menor índice de toxidade e efeitos colaterais mais brandos.

5) O remédio age sobre os microorganismos até eliminá-los, ou isolar o poder de ação, para que o sistema imunológico volte a funcionar e a matar as bactérias sem a ajuda de medicamentos.A dosagem da droga deve ser estável até que não haja mais resquícios vivos da infecção.

6) Muitos pacientes se queixam de dores e incômodo no estômago e no fígado durante o uso de antibióticos. O efeito é inevitável, já que os medicamentos são absorvidos e metabolizados nesse órgão. A alimentação ou o uso de leite não resolve o problema e pode interferir na ação do remédio, a depender do principio ativo. Siga as orientações do fabricante e do médico.

    

                         

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