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Quanto a profissão paga?

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Estudar compensa: cada ano de formação traz 15,7% a mais de salário.

Seguir uma carreira que lhe dê prazer e para a qual você tenha habilidade: eis a super-receita de sucesso na escolha profissional - dizem, em unissono os orientadores vocacionais. Mas, como na vida real as coisas nem sempre seguem o caminho dos cenários ideais, a remuneração acaba tendo um peso bem grande na escolha da profissão. Por causa desse tradicional conflito entre o que a gente gostaria de fazer versus o quanto a gente gostaria de ganhar, o economista Marcelo Neri, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro, elaborou o estudo Você no Mercado de Trabalho. Trata- se de um megacruzamento de dados que permite conhecer as estimativas salariais médias de várias carreiras — e ainda descobrir que probabilidade você tem de conseguir um emprego na área que escolheu — ou para a qual pretende se transferir.
Entre os destaques do estudo está o ranking das profissões mais bem-remuneradas do Brasil. Como a média é nacional, na maioria dos casos os valores estão bem abaixo dos salários praticados em grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. "O ranking inclui dos rincões às metrópoles" explica Neri. Ainda assim, o tabelão pode ser bem útil. Isso porque, mesmo com valores que às vezes podem parecer muito modestos para centros urbanos com economia mais aquecida, a ordem segue uma lógica nacional. Juízes e desembargadores, por exemplo, aparecem no topo da lista. Recebem, em média, R$ 13.956 mensais. Os diretores gerais de empresas ocupam a segunda posição, com salários de R$ 7.371,40. Médicos figuram no terceiro lugar, com remuneração de R$ 7.029.
O levantamento foi feito com números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) de 2008.
E mostra também que investir em educação compensa. Cada ano de estudo representa um acréscimo de 15,7% no salário mensal. “Na comparação entre pessoas do mesmo sexo, idade, raça e geografia, o salário dos universitários é quase seis vezes maior que o dos analfabetos”, diz o economista.
A chance de conseguir vaga no mercado de trabalho também cresce com os anos de formação. Segundo a pesquisa, alguém com 18 anos de estudo ou mais — aqueles com pós-graduação — tem 90,73% de chance de estar empregado hoje. Para os que têm só graduação, é de 83,58%. Outro exemplo: uma médica de 25 anos que trabalhe mais de oito horas por dia e esteja há mais de cinco anos no serviço público em São Paulo ganha em média R$ 2.438 por mês — se tiver só a graduação. Mas uma mulher do mesmo perfil que tenha cursado pós- graduação ganha salário médio maior, de R$ 3.715. O estudo confirma, em números, o que os caça-talentos já sabiam: quem tem mestrado ou pós- graduação sai na frente do candidato que fez só graduação.
Não à toa, os vestibulandos ainda apostam em carreiras como medicina, direito, administração e engenharia — que ainda são as que pagam o maiores salários. Medicina teve o maior número de inscritos no Vestibular da Universidade de São Paulo neste ano (13.379 inscrições). Outros 12.343 candidatos pretendem cursar engenharia na Escola Politécnica (engenharia civil, elétrica, química, mecânica e da computação). Direito foi a terceira opção mais procurada, com 10.519 inscritos.

FUTURO RELATIVO
Segundo dados do governo americano, as profissões mais promissoras (com maior número de vagas e melhores salários) são ligadas à tecnologia da informação, saúde e medicina para a terceira idade, turismo e geração de energia.
“A remuneração é sempre um fator a ser considerado na escolha da carreira, mas não pode ser o principal”, alerta Sílvio Bock, diretor da Nace Orientação Vocacional. Decidir só com base no retorno financeiro é um risco. "Carreiras que estão bombando hoje podem perder força daqui a cinco anos"
Um exemplo: o ramo da engenharia civil. No ano passado, faltavam engenheiros para trabalhar no Brasil, graças aos investimentos em obras de infraestrutura. “Com a crise financeira global, esse panorama irá mudar. E pode ser que daqui a cinco anos esteja tudo diferente novamente.”

                         

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