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Fique de olho nos MBAs do Brasil

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Nem tudo é perfeito nos MBAs. Conheça os principais problemas desses cursos aqui no Brasil. O MBA virou febre entre os executivos. As escolas correram atrás dessa mania

E o que se viu foi uma enxurrada de programas no país com a fascinante (e rentável!) sigla de três letrinhas. A questão é que, junto com as boas opções, vieram as não tão boas assim. Como esse tipo de curso é classificado pelo MEC como pós-graduação, o título MBA passou a ser usado para todo tipo de programa que tivesse no mínimo 360 horas de duração e 50% de mestres ou doutores no corpo docente (requisitos para a pós).
 
"Esse é o primeiro grande problema da educação executiva no Brasil: a oferta de muitos MBAs que não são MBAs': diz Luca Borroni, secretário executivo da Associação Nacional de MBA (Anamba). "O segundo é a venda de cursos fracos por parte de escolas com reputação, que se escondem atrás do nome para oferecer programas de segunda categoria." Isso prejudica as instituições mais sérias e principalmente os alunos, que compram gato por lebre.

"Essa oferta exagerada de vagas incentiva o emburrecimento", diz o paulista Osvaldo Cervi, de 37 anos, gerente da divisão de investimentos private do Banco do Brasil e professor de pós-graduação da Faap. Osvaldo fez dois cursos de MBA (Finanças, na FEA-USP, e Tecnologias Educacionais, na Faap) e um mestrado em administração, no Mackenzie, em São Paulo. Ele diz que aplicou parte do que aprendeu nas salas de aula, mas levanta outro problema dos cursos de MBA: a forma como o conteúdo é estruturado.
 
"As disciplinas deveriam ser integradas, afinal a empresa não funciona em caixinhas separadas': diz Osvaldo. "A maioria dos alunos sai dos cursos com o conhecimento dividido como uma colcha de retalhos:' A crítica do executivo se assemelha a uma das tantas que o guru canadense Henry Mintzeberg faz sobre o modelo de educação executiva no livro recém-traduzido para o português MBA? Não, Obrigado (Editora Bookman). Para Henry, esses programas, em geral, trazem uma visão muito teórica do mundo dos negócios, atraem pessoas erradas (recém-formados com desejo de subir na carreira apenas) e não propõem uma visão de conjunto entre as disciplinas. Embora os MBAs no Brasil não sigam exatamente os moldes internacionais, algumas críticas se aplicam ao nosso mercado.

PAPO DE ACADEMIA

Apesar da língua afiada do guru canadense sobre a falta de vivência nas aulas de MBA, algumas universidades americanas ainda ganham (e muito) no quesito "prática" se comparadas às nossas. "Podemos evoluir bastante nessa área': diz Ricardo Spinelli, diretor executivo do FGV Management, programa de educação continuada da Fundação Getulio Vargas. "Lá fora você encontra uma central de casos maravilhosa, como em Harvard, que investe nisso e tem profissionais encarregados especificamente desse trabalho."
 
No Brasil, dois problemas, segundo Ricardo, dificultam esse processo. As universidades americanas têm uma forma de subvenção, que é a doação, que não funciona aqui. Além disso, no Brasil as empresas não costumam autorizar a divulgação de seus casos nas salas de aula.
 
O consultor paulista Ricardo Betti, que se especializouem assessorar candidatos que desejam cursar um MBA, levanta outro ponto. O sistema de doação permite que as universidades de renome lá fora invistam fortemente em pesquisas, atividade que ainda é incipiente nas escolas de negócios brasileiras. Ele também critica as tais parcerias internacionais que as escolas de negócio brasileiras mantêm. "Em geral, esses convênios não são bem estruturados e os alunos não sabem nem como funcionam. Muitas vezes vira apenas um programa de visitas a escolas estrangeiras."

Uma última alfinetada de Henry Mintzberg também se aplica à realidade brasileira. As turmas de MBA contam com profissionais cada vez mais jovens e inexperientes, o que pode comprometer o nível das aulas. "Recém-formado deveria ser proibido de entrar nos verdadeiros cursos de MBA", diz Luca Borroni, da Anamba. "Infelizmente, muitas escolas aceitam moleques que não têm nenhuma experiência em gestão."
 
A diretora de RH da GE no Brasil, Cibele Castro, engrossa o coro dos que protestam contra a formação e experiência profissional dos estudantes de MBA: "Há cursos que juntam numa mesma sala alunos com níveis de formação muito diferentes, idades discrepantes e variados estágidos de carreira. É impossível aprofun-dar qualquer tema nessa situação". Coordenadores de MBA: fica o recado!

                         

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