Dicas de português
Publicidade
Fonte do Artigo:
22 Setembro, 2008 17:00:04
Vale o exemplo de Gilberto Gil. O ministro cantor entregou a cadeira da Esplanada dos Ministério. Falar em demissão? Qual o quê!
A magia das palavras
As palavras são como as roupas. Ficam gastas. Envelhecem. Quem primeiro se dá conta da perda do viço são os artistas. Eles, então, dão novos nomes a velhas denominações. Vale o exemplo de Gilberto Gil. O ministro cantor entregou a cadeira da Esplanada dos Ministérios. Falar em demissão? Qual o quê! Ele preferiu dar charme e colorido à saída. Chamou-a refazendo, refazenda -lembrança de sucesso dos anos 70.
Publicitários também se empenham em maquiagens vocabulares. Um dos alvos são profissões que almejam subir de status. Manicure virou designer de unhas. Costureira agora é estilista de moda. Empregada doméstica tomou-se secretária do lar. Decoradora batizou-se designer de interiores. Prostituta denomina-se profissional do sexo.
Mãe não fica atrás. A mais antiga das profissões anda em baixa. Tão em baixa que nem é reconhecida. O jeito foi renomeá-la. Virou pesquisadora associada no campo do desenvolvimento infantil e das relações humanas. Chique não?
Fura-fila
Que coisa, hein? A turma da Universidade Federal do Rio de Janeiro não respeita nem a fila dos transplantes. Em troca de boa grana, inverte a ordem da espera. Os últimos tomam-se os primeiros. A mágica foi batizada de fura-fila. O plural? Fura-fila joga no time dos compostos de verbo + substantivo. Só o nome se flexíona: fura-filas, vira-latas, porta-malas, guarda-chuvas.
É coreana
"As conseqüências", ensinou o conselheiro Acácio, "vêm depois." A obviedade do personagem de Eça de Queirós lembra outra obviedade. Trata-se da conta que o meio ambiente cobra pelo desmatamento desvairado. Uma delas é a visitinha de ratos silvestres. Eles invadem a cidade em busca do lixo que lhes dá alimento. Se estiverem contaminados pelo hantavírus, transmitem a hantavirose aos humanos. O palavrão veio da Coréia. Na península asiática, corre o Rio Hanta. O vírus, descoberto lá, recebeu o nome do lar que o abrigava.
Contagem regressiva
Ufa! No dia 8, às 8h, começam as Olimpíadas de Pequim. Quem conhece o perfeccionismo e a determinação chineses não duvida. Serão os mais esplêndidos jogos de todos os tempos. Por isso a imprensa adotou a contagem regressiva. Recorre, então, a duas estruturas. Ambas verdadeiras ciladas.
Uma: o verbo faltar. Quando o sujeito vem posposto, não dá outra. Pisa-se a concordância. Aparecem horrores como "falta 12 dias, falta 10 dias" e por aí vai. Vale lembrar: o dissílabo não goza de privilégios. Concorda com o sujeito: faltam 12 dias (12 diasfaltam),faltam 10 dias (10 dias faltam), falta menos de uma semana (menos de uma semanafalta).
A outra: a preposição a. Na contagem de tempo, o verbo haver indica passado, a preposição a, futuro. O entusiasmo de repórteres se encarrega de trocar as bolas. Nas páginas de jornais e revistas, lá está "há 10 dias do começo das Olimpíadas" e assemelhados. É a receita do cruzcredo. Melhor fazer as pazes com a língua: Estamos a cinco dias das Olimpíadas de Pequim. Que venha o show!
Publicitários também se empenham em maquiagens vocabulares. Um dos alvos são profissões que almejam subir de status. Manicure virou designer de unhas. Costureira agora é estilista de moda. Empregada doméstica tomou-se secretária do lar. Decoradora batizou-se designer de interiores. Prostituta denomina-se profissional do sexo.
Mãe não fica atrás. A mais antiga das profissões anda em baixa. Tão em baixa que nem é reconhecida. O jeito foi renomeá-la. Virou pesquisadora associada no campo do desenvolvimento infantil e das relações humanas. Chique não?
Fura-fila
Que coisa, hein? A turma da Universidade Federal do Rio de Janeiro não respeita nem a fila dos transplantes. Em troca de boa grana, inverte a ordem da espera. Os últimos tomam-se os primeiros. A mágica foi batizada de fura-fila. O plural? Fura-fila joga no time dos compostos de verbo + substantivo. Só o nome se flexíona: fura-filas, vira-latas, porta-malas, guarda-chuvas.
É coreana
"As conseqüências", ensinou o conselheiro Acácio, "vêm depois." A obviedade do personagem de Eça de Queirós lembra outra obviedade. Trata-se da conta que o meio ambiente cobra pelo desmatamento desvairado. Uma delas é a visitinha de ratos silvestres. Eles invadem a cidade em busca do lixo que lhes dá alimento. Se estiverem contaminados pelo hantavírus, transmitem a hantavirose aos humanos. O palavrão veio da Coréia. Na península asiática, corre o Rio Hanta. O vírus, descoberto lá, recebeu o nome do lar que o abrigava.
Contagem regressiva
Ufa! No dia 8, às 8h, começam as Olimpíadas de Pequim. Quem conhece o perfeccionismo e a determinação chineses não duvida. Serão os mais esplêndidos jogos de todos os tempos. Por isso a imprensa adotou a contagem regressiva. Recorre, então, a duas estruturas. Ambas verdadeiras ciladas.
Uma: o verbo faltar. Quando o sujeito vem posposto, não dá outra. Pisa-se a concordância. Aparecem horrores como "falta 12 dias, falta 10 dias" e por aí vai. Vale lembrar: o dissílabo não goza de privilégios. Concorda com o sujeito: faltam 12 dias (12 diasfaltam),faltam 10 dias (10 dias faltam), falta menos de uma semana (menos de uma semanafalta).
A outra: a preposição a. Na contagem de tempo, o verbo haver indica passado, a preposição a, futuro. O entusiasmo de repórteres se encarrega de trocar as bolas. Nas páginas de jornais e revistas, lá está "há 10 dias do começo das Olimpíadas" e assemelhados. É a receita do cruzcredo. Melhor fazer as pazes com a língua: Estamos a cinco dias das Olimpíadas de Pequim. Que venha o show!
O que há de novo
Fórum Mundial da Água começa com alertas sobre escassez de água doce
O Sexto Fórum Mundial da Água foi inaugurado na manhã desta segunda-feira em Marselha, no sul da França, com milhares de delegados que discutirão como encontrar soluções para garantir o acesso à água doce em condições sanitárias decentes para todos no mundo.
... Leia +



Poste seu comentário