Aprendendo com as consequências da vida
PublicidadeToda escolha que fazemos tem conseqüências, que podem se transformar em aprendizado e experiência, por Eugênio Mussak
Viver é fazer escolhas, e eu aposto que você já fez muitas delas hoje. Teve que decidir se chegava pontualmente ao trabalho ou se ficava mais cinco minutinhos na cama. Teve que escolher o que comer, a cor das meias, ônibus ou metrô, sobremesa ou dieta... Aliás, ler este artigo já é uma escolha, afinal você poderia estar fazendo um milhão de outras coisas.
Desde crianças, optar pelo que nos parece ser melhor é algo rotineiro, mas nunca deixa de ser traumático. E, junto com as decisões, vêm as conseqüências, as implicações, as chuvas e tempestades do caminho. Convenhamos: é comum nesses momentos bater uma vontade de desistir, de voltar atrás, de se encolher no canto.
Sabemos que a ansiedade deriva especialmente da necessidade de escolher. Até uma sorveteria é um gerador de ansiedade, pois nos oferece pelo menos 40 sabores, todos atrativos, e nós só podemos escolher dois. Não é uma injustiça? A ansiedade só desaparece depois que escolhemos, saboreamos e nos satisfazemos.
As escolhas e suas conseqüências sempre incomodaram o ser humano. Até os filósofos se ocuparam do tema. Para Jean-Paul Sartre, por exemplo, o ser humano é completamente livre para exercer o poder da escolha, e é justamente isso que o diferencia e o dignifica. Está ao nosso alcance eleger o objetivo a ser seguido, a melhor maneira de lidar com certo tipo de situação e o modo ideal de contornar os obstáculos. Podemos até decidir não agir, não fazer absolutamente nada, o que também não deixa de ser uma escolha.
Sartre diz que a única ação que o ser humano é incapaz de praticar é a renúncia da escolha. Simplesmente não podemos não escolher. E o melhor: ao determos o poder da escolha, estamos condenados à liberdade.
Entretanto, esse poder de escolha, que representa a liberdade, faz surgir à nossa frente uma encruzilhada: se por um lado podemos usufruir desse poder, controlando as rédeas da nossa própria vida, por outro somos prisioneiros dessa mesma tarefa, pois decidir muitas vezes não é fácil, e ainda temos que assumir a responsabilidade pelas conseqüências da decisão. Essa idéia, que em geral não percebemos, mas que é bem real e cotidiana, passou para a história com o nome de "paradoxo de Sartre".
Decidir é o sinal da liberdade, mas é uma liberdade que exige disposição para duas coisas: assumir responsabilidade (e algumas pessoas se sentem aprisionadas por ela) e exercitar a renúncia, pois quando escolhemos um caminho ao mesmo tempo abrimos mão de muitos outros.
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