Acre
- Culinária
A gastronomia acreana é uma mistura de sabores
da cozinha Nordestina, Paraense, Síria e
Libaneza. Se nos restaurantes encontramos os mais
deliciosos pratos, nas praças e barracas
é possível degustar uma infinidade
de lanches típicos. Além do delicioso
café da manhã recheado de sobremesas
à base de frutos regionais, os licores amazônicos
são irresistíveis.
Almoço
Os principais pratos servidos no almoço
do acreano são:
Carne de Sol
Baião-de-dois
Panelada (buchada-de-boi)
Feijão ao leite de – castanha do Brasil
Pato no Tucupi
Rabada no Tucupi
Cozidão
Pirarucu à Casaca e ao leite – de -
castanha do Brasil
Tambaqui Grelhado
Quibe cru e assado
Tabule e outras delícias, servidas nos melhores
restaurantes do Estado
Lanches Matinais
Mingau de Banana e Tapioca
Cuscuz de Milho
Tapioquinha
Quibes de Macaxeira e Arroz
Tacacá
Bananinha fritas doces e salgadas
Charutos Mariolas
Salames de Cupuaçu
Esfirra
Saltenha (origem boliviana) e outras delícias
vendidas nas barracas e praças dos municípios
acreanos
Café da Manhã
Café
Leite
Pamonha
Macaxeira cozida
Tapioca
Banana Frita e mingau
Cuscuz e Frutas
Sobremesas Típicas
Pudins, cremes e sorvetes de frutas (maracujá,
cupuaçu, açaí, graviola, jaca,
abacaxi, buriti, beribá, cajá, etc)
Cocadas
Salames de Cupuaçu
Castanha-do-Brasil
Bananadas e outras iguarias
Licores
Licor de Genipapo
Licor de Mutamba
Licor de Cupuaçu
Licor de Gengibre
Licor de Canela
Licor de Cravo
Cajuína
Aluá
Xarope de Guaraná e outras bebidas amazônicas
Os sabores da Floresta Amazônica predominantes
no Acre
Açaí
Sob a classificação botânica
de Euterpe existem diversas espécies bem
diferenciadas, das quais destacam-se o açaizeiro,
enriquecendo a flora amazônica e com grandes
possibilidades exploratórias. Comercialmente
as espécies do açaí utilizadas
no Acre são: Euterpe oleracea, mais conhecida
como açaí de touceira e Euterpe precatória,
mais conhecida como açaí de terra
firme, não apresentando perfilhação.
O açaí é uma espécie
nativa da Amazônia.
O fruto do açaizeiro nada mais é
do que um pequeno côco de 1,0 a 1,5 cm de
diâmetro, com peso médio de 0,5 a 1
g e umidade de 25%, cuja polpa é uma camada
suculenta de 1 mm de espessura, de coloração
muito roxa, quase preta. Lembra uma jabuticaba em
tamanho reduzido.
Quando cultivado, apresenta produtividade de 10
a 12 t/ha de frutos ou 6,25 t/ha vinho, estabilizada
neste nível a partir do 5º ano de cultivo.
Predomina no Acre, o açaí nativo de
terra firme.
O açaí é um fruto muito rico
em antocianina (30 vezes mais que a uva), um pigmento
natural de cor roxa amplamente distribuído
no reino vegetal, que possui propriedade anti-oxidante
ajudando no combate ao colesterol.
A comercialização da polpa de açaí
torna-se cada dia mais atrativo devido a quantidade
ofertada do vinho ser menor que a procura. A extração
do cacho de açaí exerce um grande
papel social por utilizar mão-de-obra local
de seringueiros e índios habitantes da floresta.
Do açaizeiro aproveitamos tudo, as folhas
são utilizadas para a cobertura de casas;
a madeira é usada em cercas e construções
rústicas; as fibras das folhas podem ser
tecidas para fabricação de chapéus,
esteiras, cestas; os cachos depois da expurgação
dos frutos são secos e aproveitados como
vassouras.
Como todo produto extrativista, é difícil
quantificar o volume ofertado de açaí
no Estado. Estima-se que a quantidade de frutos
beneficiados seja de 1000 t/ano.
Buriti
O Buriti, (Mauritia flexuosa L.), Espécie
de origem Amazônica, tem seu habitat natural
nos terrenos baixos, alagadiços, às
margens de rios e igarapés, formando os aglomerados
de plantas, chamados de Buritizais.
O buritizeiro é uma palmeira robusta e unicaule,
que pode atingir até 30m de altura. Sua coroa
é composta de 10 a 25 folhas grandes e palmadas,
lacionadas, medindo de 5 a 6 metros de comprimento.
Os frutos são elipsóides, cobertos
com escamas de coloração castanho-avermelhada,
de 4 a 7 cm de comprimento, 3 a 5 cm de diâmetro,
com peso que varia de 25g a 40 g cada um.
A polpa da fruta tem cor amarelo-alaranjada, e
sabor agridoce com consistência amilácea
e gordurosa.
A produção é anual, e, em
indivíduos femininos, ocorre a cada dois
anos, no final do período chuvoso. Cada planta
produz de 5 a 7 cachos com 400 a 500 unidades de
frutos por cacho. Utilizando uma densidade de 1
57 plantas/hectare pode se obter 1 .800,00 kg de
polpa de Buriti.
O Buriti por ser uma planta típica de alagados
traz uma possibilidade de aumento da renda familiar
para os colonos, pois com o seu cultivo, aproveitamos
áreas antes inúteis a agricultura.
As principais formas de consumo da polpa são
o vinho do Buriti (suco), o doce, o sorvete e o
licor. Das folhas são feitas cordas; do tronco
canoas; das raízes ervas medicinais.Temos
ainda a produção de óleos a
partir da polpa e semente, fornecendo os óleos
oleicos e láuricos, respectivamente. Esta
última pode produzir até 3,6 t/ha,
quantidade maior que as de culturas como a soja,
girassol e amendoim.
É uma importante fonte de vitaminas, proteínas
e energia para as populações ribeirinhas.
Alguns autores afirmam que o óleo obtido
a partir da polpa de buriti é a maior fonte
de carotenos conhecidos no reino vegetal.
Castanha do Brasil
A Castanha do Brasil (Bertholletia excelsa) é
uma amêndoa comestível, como as nozes,
o amendoim, a avelã, a noz macadâmia
e a castanha de caju.
A castanheira é uma árvore de grande
porte, atinge até 60 metros de altura e 1
4m de circunferência na base do tronco. Suas
flores são grandes, perfumadas e tubulares,
com seis pétalas. Floresce entre outubro
e dezembro e as castanhas amadurecem depois de 14
a 15 meses da floração. Não
sendo, portanto, uma planta produtora anual.
O fruto, também conhecido como “ouriço”,
tem formato esférico, onde suas cápsulas
(castanhas) são extremamente duras. Cada
ouriço contém de 18 a 24 sementes.
A Castanha do Brasil está inserida em uma
das mais importantes cadeias produtivas da economia
na Amazônia. A colheita do ouriço,
realizada por “ribeirinhos” seringueiros
e índios, coincide com a história
da ocupação econômica da região
neste século. Trata-se de uma atividade laboral
profundamente incorporada aos costumes das populações
tradicionais Amazônicas. A agregação
de valor
a esta atividade extrativista, fixa estes povos,
gera emprego e renda, e abre novos caminhos para
o desenvolvimento sustentável.
O Estado do Acre é um dos principais produtores
de Castanha-do-Brasil, com produção
de 10.500 toneladas/ano. As indústrias de
beneficiamento de Belém absorvem 7.000 toneladas
e as indústrias bolivianas cerca de 3.500
toneladas. Somadas a seringueira e a castanheira
contribuem com aproximadamente 65% da renda extrativista
do Estado do Acre. Desses 65%, a castanheira participa
com 22,5%.
O uso da Castanha na alimentação
pode ser feita de formas diferentes. Pode-se fazer:
leite integral, farinha de castanha, castanha salgada,
mingau de castanha, granola, sorvete, bolos, bombons
com chocolate, além de muito apreciada quando
consumida in natura.
A Castanha é altamente nutritiva em proteínas,
lipídios, vitaminas e minerais. Alguns elementos
químicos encontram-se em maior quantidade
nas amêndoas de Castanha do que em outros
produtos similares. Destacando-se o Bário,
Césio e o Selenio (um anti-oxidante natural
que auxilia o combate às doenças coronarianas
e ao câncer) com 1 .764; 1 ,30; 11 ,00 ppm,
respectivamente. As proteínas da castanha
possuem aminoácidos essenciais para a dieta
humana.
Cupuaçu
O cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum)
é uma árvore da floresta tropical
úmida, que no estado silvestre, chega com
freqüência a 20 m de altura e 45 cm de
diâmetro do caule à altura do peito.
Nos indivíduos cultivados, o porte varia
de 6 a 8 m, com a copa em andares chegando a atingir
7 m de diâmetro.
O fruto é uma baga de 12 a 25cm de comprimento
e 10 a 12 cm de diâmetro, pesando em média
1 .500g; apresenta normalmente 36 sementes, são
superpostas em cinco colunas em torno de um eixo
central, vulgarmente chamado de talo. Cada uma das
sementes é envolvida por uma abundante polpa
branco-amarelada de sabor ácido e cheiro
agradável (polpa).
A safra do cupuaçu coincide com o período
das chuvas no Estado do Acre. A produção
de frutos se inicia no mês de dezembro estendendo-se
até Junho.
A produtividade por árvore é bastante
variável. Estima-se que com 5 anos de idade
a produção varia de 10 a 20 frutos/planta,
cada um pesando 1 Kg, o que resulta uma produção
média aproximada de 1400 Kg de polpa e 600
Kg de sementes por hectare.
Atualmente a quantidade de polpa comercializada
no Acre é de 220 toneladas por ano. Porém,
devido aos programas governamentais de organização
da produção, aumenta muito a oferta
do produto in natura.
A polpa do cupuaçu é a parte mais
freqüentemente usada no preparo doméstico
de sucos, sorvetes, tortas, licores, compotas, geléias
e biscoitos. lndustrialmente, a polpa é empregada
na fabricação de sorvetes, iogurtes
e compotas.
O Cupulate (chocolate de cupuaçu), sub-produto
do fruto fabricado a partir das sementes, tem características
nutritivas, sabor e aroma similares ao chocolate.
É um produto que vem sendo pesquisado e já
se apresenta como uma alternativa viável
para concorrer com o chocolate de cacau. Aparece
como um produto a ser explorado comercialmente no
Estado do Acre.
Guaraná
O guaranazeiro, cujo nome científico é
Paullínia cupana, é uma espécie
vegetal da família das sapindáceas,
nativa da Amazônia, cujo nome provém
do termo indígena “varaná”,
que significa árvore que sobe apoiada em
outra.
A planta é um arbusto semi-ereto, trepadeira,
lenhosa, que no seu habitat natural se apóia
às árvores da floresta, atingindo
altura de 9 a 10 metros. Frutifica em cachos, que,
à primeira vista, se parecem com ramos de
café maduro.
O fruto é uma cápsula deiscente de
1 a 3 válvulas, com uma semente cada; quando
maduro, torna-se vermelho ou amarelo, rompendo a
casca, fazendo aparecer uma substância branca
que envolve parte da semente, que é arredondada,
preta e brilhante, constituindo-se no produto utilizável
da planta, após sofrer beneficiamento primário,
que consiste na torrefação e limpeza.
O guaraná em pó é um produto
com propriedades medicinais, sendo utilizado para
combater as enxaquecas, como sedativo, tônico
cardiovascular, diurético, regulador das
funções intestinais e também
por conter três vezes mais cafeína
que o café, é considerado estimulante
das funções fisiológicas ainda
qualidades afrodisíacas cientificamente comprovadas.
A produção de guaraná estimada
no Estado é de 150 toneladas por ano. O mercado
consumidor do Guaraná é demandante
de matéria prima, o que mostra o potencial
econômico de produtos à base de Guaraná.
O Governo do Estado do Acre, através do
plano estratégico de desenvolvimento irá
incentivar o plantio de guaraná no Vale do
Juruá.
O guaraná normalmente é comercializado
de cinco formas diferentes: Guaraná em rama,
Guaraná em pó, guaraná em bastão,
guaraná concentrado e xarope de guaraná.
Pupunha
A pupunha (Bactris gasipaes H. B. K.), da família
Palmaceae, é uma palmeira ereta que chega
a atingir até 20 m de altura e 10 a 25 cm
de diâmetro nos indivíduos adultos,
na grande maioria das variedades cobertas por espinhos
pretos (existem populações sem espinhos
encontradas em algumas regiões da amazônia
peruana e brasileira).
Desenvolve-se em touceira, sendo comum encontrar
exemplares com 5 perfilhos. Os frutos são
de forma, tamanho e cor variáveis, ricos
em proteína, carboidratos e vários
minerais, como cálcio, ferro e fósforo,
entre outros, com alto teor de vitamina A.
A planta da pupunha tem dupla aptidão, ou
seja, pode-se comercializar o fruto ou o palmito.
É uma cultura precoce, pois o primeiro corte
para extração do palmito, dá-se
a partir dos dezoito meses do plantio, produzindo
colheitas em 9 meses dos 1 2 meses do ano.
O mercado consumidor de palmito é muito
grande e na maioria das vezes a exploração
deste produto. Já o cultivo da Pupunha, permite
a exploração racional do palmito e
o Estado do Acre é pioneiro no desenvolvimento
e plantio da pupunha com este fim. Este e outros
fatores abrem o mercado para a comercialização
do palmito de pupunha.
Os derivados do fruto da pupunha podem ser a farÊnha,
a conserva e o óleo.
Colaboração de texto e fotos: Secretaria
de Turismo do Estado do Acre.