Acima
das diferenças
Amor é assim mesmo: vence distâncias,
une diferentes, quebra regras. Paulo e Tainá,
Vera e Danilo, Isabella e Luiz são casais
com vida e histórias diferentes, mas um ponto
em comum, ou melhor, dois: todos estão juntos
há sete anos e são casais que "uniram"
gerações através do matrimônio.
Tainá Guedes, 24 anos, é casada com
um homem 18 anos mais velho, Paulo Barossi, de 42.
Foi amor à segunda vista. "Ela era uma
japonesinha muito metida", lembra Paulo. "Ele
era um velho ridículo, com um cabelão
espetado, bermuda xadrez, camisa de florzinha",
rebate Tainá.
A história começou em uma festa,
logo que Paulo voltou dos Estados Unidos - ele queria
montar um clube de jazz, mas acabou dono do Nakombi,
um dos restaurantes japoneses mais badalados de
São Paulo, separou-se da mulher e teve de
enfrentar a família da moça - que
tinha 17 anos quando a paixão aconteceu.
AFINIDADE INEXPLICÁVEL -
"Não sei explicar o que nos uniu, mas
houve um tempo em que a gente se via diariamente,
indo para festas, curtindo, viajando, sem acontecer
absolutamente nada. Começamos a ficar amigos
demais, dormíamos juntos e eu comecei a desejá-la",
lembra Paulo.
"O Paulo dizia que eu não sabia beijar.
Me provocava tanto, que acabei lhe dando um beijo.
Aí, no dia seguinte, ele abriu a porta do
carro na frente da minha casa e disse: sobe no carro
que eu preciso falar com você..."
O idílio do casal estava começando.
Mas logo a mãe de Tainá ameaçou
dar queixa na polícia contra Paulo. Não
funcionou: a menina passou a fugir de casa para
namorar.
A mãe radicalizou: mandou a garota primeiro
para a casa da madrinha em São Paulo mesmo
e, depois, para Itaparica, na Bahia. Aí,
Tainá fugiu para sempre.
"Ele me falava que apesar de morar com a mulher,
não tinha sexo com ela. Só que isso
não era claro para os filhos dele, que me
acusavam de ter desmanchado a família. Foi
difícil acabar com o mal-entendido",
lembra Tainá. Mas, digamos, o amor venceu!!!
Eles montaram uma casa e passaram a morar juntos
seis meses depois. "O que meassustou é
que todos que eu considerava modernos se mostraram
extremamente caretas e reacionários",
conta Paulo.
No começo, também, os dois trabalharam
juntos. Tainá cuidava do marketing do restaurante.
Não deu muito certo. Por isso, atualmente,
ele cuida dos restaurantes, são dois. E ela,
como amante das artes, faz calendários para
ajudar organizações não-governamentais,
desenha lingeries com frases de jovens poetas, cria
eventos...
A diferença de idade às vezes pesa.
Paulo acredita que não fosse seu perfil festeiro,
já teria virado um velho. Ele acha sua jovem
esposa preconceituosa e sem bom humor - ela não
ri das suas piadas!
De seu lado, Tainá não vê tanta
juventude em sua cara-metade. Ele quer que ela resça
a toque de caixa: "O Paulo cobra de mim uma
maturidade que não tenho. Só que quero
tempo para amadurecer, sem pressão ou pressa".
De qualquer forma, Paulo diz, e Tainá concorda:
"A gente está crescendo junto e isso
é muito bacana. O melhor de tudo é
que, depois de sete anos, eu ainda o desejo demais."
VÍTIMA DO CUPIDO -
A professora Vera Botelho, 61 anos, encontrou seu
colega, Danilo Donzelli, de 48, fora a sala de aula.
Eles foram vítimas da armação
de um amigo comum, que marcou um cineminha inocente
com os dois sem avisar a ninguém - depois
de anos de campanha promocional para os dois.
Ela era separada, tinha quatro filhos e sua mãe
acabara de morrer. Ele, solteiro, também
estava de luto pelo único irmão e
pela mãe. Os dois fizeram um acordo de juntar
as solidões.
"A idéia era manter a vida independente.
Mas a gente começou a sair cada vez mais
e virou namoro mesmo", comenta Danilo. Vera
relutava por conta da diferença de idade.
Danilo também achava esquisito, principalmente
por causa dos filhos. Três anos depois, os
dois foram morar juntos por força das circunstâncias,
como conta Danilo: "A gente foi trabalhar junto
e, como não dirijo, eu ia dormir na casa
dela para facilitar". Além disso, na
casa dele, só havia uma cama de solteiro,
enquanto na dela "uma cama muito boa, gostosa
e grande..."
"Eu acho que as pessoas não atinam
que a nossa diferença de idade é tão
grande porque a Vera parece muito jovem e a minha
barba branca ajuda a me envelhecer", confessa
Danilo. Os dois, ao contrário dos outros
casais, não enfrentaram grandes resistências
da família ou dos amigos. "Acho que
a minha irmã não gosta muito",
diz Vera. Mas os ganhos foram grandes: "Aprendi
a não ser tão séria, a respirar
- que era uma coisa que eu não fazia - a
relaxar", conta a professora. Danilo voltou
a viver: "Eu stava numa fase muito ruim e ela
me abriu um monte de horizontes".
Mesmo assim, nem tudo são rosas no mundo
do casal. Vera reclama do "anarquismo"
do parceiro. Ele diz que ela só pensa no
trabalho. Os dois riem, um do outro, e dão
um abraço apertadinho.
PRIMEIRO DAMO -
É assim que o publicitário Luiz Casali,
57 anos, se apresenta para os amigos. Tudo começou
quando a jornalista Isabella Blanco, hoje com 39,
entrou no seu escritório. Ele era o dono
da Rádio América e ela, sua assessora
de imprensa. "Na hora pensei: "Me gusto",
brinca Luiz. Isabella tinha 26 anos, era casada.
Luiz também.
"Foi uma admiração profissional
mútua, pela forma como ele conduzia a sua
empresa, com idéias modernas e tratamento
diferenciado tanto para os funcionários como
para os prestadores de serviço", confessa
Isabella.
As lembranças enchem de lágrimas
os olhos verdes da jornalista. Ela descasou em1995,
eles começaram a namorar em1996. Em seguida,
foi a vez dele se separar e os dois se unirem.
Mas não foi simples como parece. Luiz havia
perdido um filho com 17 anos e confessa que, apesar
do casamento falido, nunca imaginou se separar da
primeira esposa:"Estava casado há 27
anos quando me separei e faço parte de uma
geração em que amantes são
permitidas, mas o casamento é eterno".
A paciência de Isabella ganhou a admiração
de Luiz e venceu as resistências:
"Eu sentia que ele me amava e queria ficar
comigo, mas lutava contra".
O casal está junto há sete anos,
Isabella continua ciumenta e a família de
Luiz ressentida: "Eu era um santo, ajudava
todo mundo. Depois que me separei, me tornei o pior
homem do mundo. Minhas filhas não aceitam
até hoje".
Isabella, ao contrário dos filhos de seu
amado, afirma que o companheirismo que encontrou,
com o homem seis anos mais novo que seu pai, é
único: "Existe uma parceria que nunca
imaginei ser possível. Nossos interesses
se entrelaçam. E nossas iferenças
não importam. A temperatura da água
do banho que eu gosto é diferente da dele.
Mesmo assim, tomamos banho juntos", comenta
ela.
E ele confirma: "Eu esquentei um pouco a minha
água e você esfriou um pouco a sua".
Isabella aprendeu muito com o marido: bom humor
- era chata, ansiosa -, ser maleável, diz
que está a caminho de aprender a ganhar dinheiro
e, o melhor de tudo, a ser feliz.
Luiz, de seu lado, diz que a amada o ensinou a
não fazer média, não tentar
agradar a todos. Resultado: a vida ficou mais fácil,
leve, verdadeira.
Autor : Maira Helena Galvão
Créditos : Anna Beth
Fonte : Universo da Mulher