Anjos
de Guarda
O que pode ser mais sedutor que um Anjo de Guarda, que
vela pela vida e pela felicidade de nós crianças,
que nos acompanha em todos nossos movimentos, que se
entristece com nossas traquinagens, que se regozija
com nossas ações meritórias?
Desde pequenos, ouvimos contar as histórias
dos Anjos. Daquele, que, de espada flamejante em
punho, expulsou Adão e Eva do Paraíso.
Daquele que anunciou a Maria a concepção
de Jesus. Daquele Anjo que, no quadro que adornava
minha cama, se afastava chorando do menino que havia
se comportado indignamente. Isso sem contar aquele
outro que, na parede oposta, tocava violino sobre
uma estantezinha dourada. Ou daquele que, em se
olhando de repente, parecia estar atravessando a
parede, voando em nossa direção. Só
se viam sua cabeça de menino e suas pequenas
asas.
Por que será que os Anjos sempre exerceram
tamanho fascínio sobre os homens? Será
porque todos os homens passaram pela infância?
Não! Acredito que não!
A grande verdade é que, enquanto somos crianças,
somos mais sensíveis ao belo absoluto. O
verdadeiro absoluto. Porque não temos preconceitos.
Não fomos suficientemente contaminados pela
civilização.
Entender os Anjos é antes uma questão
de sensibilidade ao verdadeiro, à real magnitude
do Universo, incompreensível para muitos
e demasiadamente lógico para outros. As alças
do saber são muito elásticas e, num
piscar de olhos, podem enlaçar qualquer pessoa
que esteja materialmente acessível. Somente
as âncoras dos preconceitos podem impedir
alguém de se elevar neste vôo fantástico,
intraduzível e misteriosamente prazeroso.
Não te sintas sozinho jamais, porque jamais
estarás. Existem os Anjos e, dentre eles,
alguns têm por missão zelar por ti.
Os Anjos, em suas grandes coortes, são mais
poderosos que os exércitos, mais benéficos
que os ventos e as estações do ano,
porque sua presença não é sazonal.
Eles são a bênção e a
misericórdia divina, militando incansavelmente
em teu favor.

Se tu tens coragem, alça-te! Voa neste misterioso
oceano de ondas vagas e vagas nuvens, deixando-te
vogar ao sabor das forças que te levam, seguramente,
para um lugar melhor, dentro de tua própria
vida, de tua própria existência, de
tua própria essência de ser humano
racional e fiel a teu destino. Todas as pessoas
acham que, ao se identificarem com um determinado
tipo de culto religioso, têm de abandonar
o sistema de crença no qual acreditavam anteriormente.
Este é um dos maiores erros da humanidade,
pois nunca devemos excluir e sim acrescentar!
Na realidade todas as Religiões são
uma só, apenas surgiram em lugares diferentes,
para povos diferentes, mentalidades diferentes e
idiomas diferentes, pois os deuses apenas mudam
de nome dependendo do lugar onde são cultuados,
mas suas características básicas permanecem
as mesmas em todo o Mundo. O deus grego Hermes é
o mesmo Mercúrio dos romanos, que é
o Odin dos vikings, que é o Exú dos
yourubás.
Quando excluímos um sistema de crença
religiosa para acreditar em outro, acabamos saindo
perdendo, pois o ato de excluir significa perder
e perder significa ter menos conhecimento. Ter menos
conhecimento, por outro lado, nos afasta da Verdade.
Pense nisso!