Rasputin,
o Monge Louco - "O Monge louco".
Foi com esse apelido funesto que o monge russo Grigori
Yefimovich Novykh, nascido em 1872 e morto em 1916,
entrou para a história universal da infâmia.
Analfabeto, longas barbas, ar sombrio, Novykh ou Rasputin
-"o depravado", em russo - gozou de raríssimos
privilégios junto a corte do czar Nicolau II,
o último a reinar sobre a Rússia. Mandava
e desmandava. Dava conselhos. Impunha sua vontade,
Nada mal para quem amargara uma infância paupérrima
e obscura na enregelante Sibéria.
Pouco se sabe, aliás, sobre a trajetória
de Rasputin durante seus primeiros 40 anos de vida:
uma viagem ao Oriente Médio, um casamento,
algumas peregrinações. Sabe-se que era
membro da seita Khlisti, banida pela Igreja Ortodoxa
por pregar que todos os desejos dos homens deveriam
ser satisfeitos. O certo é que ele começou
a palmilhar o caminho para a duvidosa fama em 1908.
Foi nesse ano que o czar, desesperado com as constantes
crises hemorrágicas do filho hemofílico
Aleksei - que médico algum conseguia curar
-, resolveu apelar para aquele curandeiro que freqüentava
os salões do seu palácio.
No início, Nicolau II chegou a desconfiar de
Rasputin. O czar temia que a notícia sobre
a hemofilia do herdeiro da coroa chegasse aos ouvidos
da população e prejudicasse a aceitação
do jovem Aleksei. (Que, na verdade, nunca chegou a
subir no trono, porque em 1917 seu pai foi deposto
pela Revolução Russa). O fato é
que Rasputin conseguiu debelar o mal do herdeiro -
provavelmente obra do acaso, mas que foi encarada
como um milagre. Era a consagração.
A partir desse episódio, os Romanov definitivamente
estavam no bolso do "monge louco".
Eufórica com os bons resultados operados sobre
a saúde do filho, a imperatriz Alexandra passou
a confiar cegamente em Rasputin. Descobertas recentes,
sugerem, inclusive um tórrido romance entre
o monge e a imperatriz. Só para se ter uma
idéia do alcance da sua influencia, ele tinha
poderes suficientes dentro da corte para nomear cargos
do primeiro escalão do governo e indicava quase
sempre uma gente inepta que não conseguia exercer
corretamente suas funções.
Rasputin circulava livremente pelas altas rodas da
corte russa. E seus ares de homem santo não
conseguiam esconder de ninguém as noites passadas
em orgias regadas a hectolitros de vodca, o assunto
predileto de todo mundo naquela Rússia sem
revistas de fofocas. Tudo isso começou a irritar
a nobreza russa. Ninguém conseguia tolerar
os poderes delegados àquele monge analfabeto
e dissoluto. Inclusive porque, cochichavam alguns
membros do governo, o predileto da imperatriz Alexandra
conspirava com a Alemanha.
A gota d'água veio com o início da Primeira
Guerra Mundial. Com o czar Nicolau II na frente de
combate, Rasputin virou uma espécie de primeiro-ministro.
Todas as decisões passavam pelo seu crivo delirante
e místico. Um grupo de nobres resolveu planejar
seu assassinato. Em 28 de dezembro de 1916, o príncipe
Iussupov e mais um punhado de membros da nobreza atraíram
Rasputin para um jantar. Foi-lhe servido chocolate
"batizado" com veneno. (Daí o nome
do drinque que até hoje é servido em
alguns bares: "Vingança de Rasputin",
com vodca e creme de cacau...) Aparentemente a dose
era pequena. Rasputin resistiu. Seus algozes, então,
passaram a disparar com revólver e a atacá-lo
com punhais. Mas o danado não morria. Inconformados,
seus assassinos o enfiaram num saco e o arremessaram
às águas frias do Neva, o rio que banha
São Petersburgo. Era o fim do "monge louco".