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Viva Bem




A Transição Nutricional

22:15




A partir da década de 60, modificações nos padrões de morbimortalidade da população vêm sendo objetivamente estudadas e analisadas sob o enfoque dos processos de Transição Demográfica, Transição Epidemiológica e Transição Nutricional. Na busca do entendimento sobre a transição demográfica, verifica-se que as modificações no nível do desenvolvimento de cada sociedade correspondem a alterações nos padrões de morbimortalidade das populações. Em países em desenvolvimento, estes padrões se apresentam com redução das doenças infecciosas e crescente aumento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), as quais ganham destaque nas causas de óbitos. O aumento da vida média e o envelhecimento populacional aumentam a probabilidade de acometimento de DCNT. Estes aspectos da transição epidemiológica nutricional se confirmam frente ao quadro epidemiológico dos distúrbios nutricionais e das doenças relacionadas a alimentação e nutrição no Brasil. Nas últimas décadas podemos observar um decréscimo importante da prevalência de desnutrição/baixo peso em todas as faixas etárias e regiões, especialmente em crianças de 0 – 5 anos seguido de um também importante incremento nas taxas de sobrepeso e obesidade em todas as regiões, faixas etárias e com especial destaque em mulheres de estratos sócios econômicos mais baixos. A Transição Epidemiológica é o resultado das mudanças nas tendências dos padrões de morbimortalidade e fecundidade, que determinam mudanças na estrutura populacional. A evolução gradual dos problemas de saúde que deixam de ser caracterizados por alta morbidade e mortalidade por doenças infecciosas, em detrimento da elevação e maior predomínio de doenças crônicas não transmissíveis processam alterações na maneira de adoecer e morrer das populações. A Transição Nutricional, na lógica da transição Demográfica e Epidemiológica, é também um processo de modificações seqüenciais associadas ao padrão de alimentação e nutrição. Neste sentido, as mudanças econômicas, sociais e demográficas, modificam o perfil alimentar e nutricional no contexto do processo saúde-doença das populações. De acordo com o Relatório 916 da OMS sobre Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde há provas científicas de que as pessoas podem manterse saudáveis depois dos 70, 80 e 90 anos se tiverem uma alimentação saudável e mantiverem uma prática regular de atividade física e não fumarem. Nas populações em geral, vêm aumentando os fatores de risco (que coexistem e interagem) e o nível de exposição a eles; por conseguinte, as estratégias de prevenção devem se propor a reduzir os riscos. Neste contexto, a alimentação saudável e a prática de atividade física junto com o controle do tabaco podem trazer amplos benefícios e constituírem a melhor estratégia para melhorar a qualidade de vida e conter a crescente ameaça mundial das DCNT. O crescimento do número de casos de sobrepeso e obesidade nas últimas décadas, tem revelado um quadro epidemiológico preocupante acerca do grupo de DCNT. A obesidade, integrante deste grupo, é um recente problema de saúde pública no Brasil. A população adulta brasileira vem apresentando um aumento na prevalência de excesso de peso importante. De acordo com os dados do inquérito nacional mais recente (Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição, 1989), cerca de 32% dos adultos brasileiros apresentam algum grau de excesso de peso, destes 6,8 milhões de indivíduos (8%) possuem obesidade, com predomínio entre as mulheres (70%). A prevalência ainda se acentua com a idade, atingindo um valor maior na faixa etária de 45 – 54 anos (37% entre homens e 55% entre mulheres). Quando comparados com o ENDEF (Estudo Nacional da Despesa Familiar) 1974/75, uma situação preocupante é revelada: no período compreendido entre os dois inquéritos nacionais (1975-1989), houve um aumento de 100% na prevalência de obesidade entre os homens e de 70% entre as mulheres, considerando todas as faixas etárias. Em todas as regiões do país, parcelas significativas da população adulta apresentam sobrepeso e obesidade. Em termos relativos, a situação mais crítica é verificada na região Sul, onde 34% dos homens e 43% das mulheres apresentaram algum grau de excesso de peso, totalizando aproximadamente, 5 milhões de adultos em 1989. No entanto, ao verificar dados absolutos, situa-se na região Sudeste a maior quantidade de adultos com excesso de peso no país, totalizando mais de 10 milhões de adultos com sobrepeso e cerca de 3 milhões e meio com obesidade. O aumento da prevalência da obesidade no Brasil se torna ainda mais relevante, ao considerar que este aumento, apesar de estar distribuído em todas as regiões do país e nos diferentes estratos sócio-econômicos da população, é proporcionalmente mais elevado nas famílias de baixa renda. A Pesquisa sobre Padrões de Vida (PPV) foi realizada pelo IBGE em 1997, sendo restrita às regiões Nordeste e Sudeste, onde estão concentrados mais de três quartos da população brasileira. Estas duas regiões ocupam pólos opostos – inferior e superior, respectivamente – com relação à distribuição regional de indicadores do desenvolvimento, como indicadores econômicos (produção de bens e serviços, valor dos salários, renda per capita) e indicadores sociais (taxa de mortalidade infantil, esperança de vida e escolaridade da população). Monteiro (2000) analisou as prevalências de obesidade específicas por sexo e faixa etária estimada pelos inquéritos realizados em 1974/75, 1989 e a PPV de 1997. Para tornar possível a comparação com o inquérito mais recente, considerou, nos inquéritos anteriores, apenas a amostra relativa às regiões Nordeste e Sudeste. As modificações nas prevalências da obesidade ente 1989 e 1997 revelaram que, no caso dos homens, embora a prevalência da obesidade siga aumentando nas duas regiões, está em elevação de modo mais intenso na Região Nordeste, induzindo o risco de obesidade masculina, nesta região, a se aproximar daquele existente na região Sudeste. Nas mulheres, a prevalência da obesidade aumenta de forma notável na Região Nordeste, mas mantém-se estável, ou mesmo tende a diminuir em algumas idades, na Região Sudeste. As diferenças no padrão regional de evolução evidenciam que o risco de obesidade feminina na Região Nordeste, em 1997, tende a se igualar ou mesmo, a superar o risco da patologia na Região Sudeste. Nesta análise, pode-se considerar o fenômeno da urbanização e o seu impacto sobre padrões de atividade física e características da alimentação. Ao analisar dados sobre tendência secular do consumo alimentar (restritos a comparação entre as áreas metropolitanas do país), as alterações de maior destaque referem-se à tendência ao aumento da densidade energética das dietas, o que se observa especialmente entre os inquéritos de 1974/75 e 1987/88 com o aumento de 2 a 7 pontos percentuais na proporção da energia procedente do consumo de lipídios. A urbanização, sem dúvida, parece ter induzido à uma mudança nos padrões de vida e comportamento alimentar das populações. No Brasil, o tipo de alimento consumido na zona rural apresenta-se diferente daquele consumido na zona urbana que está relacionado diretamente ao poder aquisitivo ou ao nível socioeconômico. Estudos demonstram que a população urbana de baixa renda apresenta uma ingestão calórica inferior, quando comparada com a população rural, apesar de que a primeira consome proporcionalmente mais proteína e gordura animal do que a segunda. A população urbana consome maior quantidade de alimentos processados, como carnes, gorduras, açúcares e derivados do leite, em relação à área rural onde a ingestão de cereais, raízes e tubérculos é mais elevada. Em um país como o Brasil onde as desigualdades regionais são imensas é importante destacar que a garantia da segurança alimentar e nutricional pressupõe a necessidade de estratégias de saúde pública capazes de dar conta de um modelo de atenção à saúde e cuidado nutricional direcionados para desnutrição e sobrepeso / obesidade, uma vez que estes distúrbios nutricionais e, todas as doenças relacionadas a alimentação e nutrição, revelam duas faces, diversas e aparentemente paradoxais, de um mesmo problema: a insegurança alimentar e nutricional da população brasileira.

07/09/2006

















































































































































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