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A pressão da sua criança é normal?

Revista Saúde
Novembro de 2003, nº 242
Imagem cedida pelo Site Corbis
É difícil perceber que a criança tem pressão alterada porque, na maioria das vezes, não há sintoma nenhum. E, quando o corpo se manifesta, seus sinais podem ser confundidos com os de outros problemas de saúde. Os sintomas abaixo valem como alerta:

• Dor de cabeça
• Náusea
• Visão turva
• Baixo peso
• Tontura
• Dor abdominal
• Irritabilidade

Engana-se quem imagina que só gente grande pode ter hipertensão. Cerca de 12% da meninada apresenta o mesmo problema e, se ele não for notado o quanto antes, surgem doenças graves

A pergunta no alto desta página provavelmente o deixa com a pulga atrás da orelha. Mas não se martirize se a sua resposta for "nunca pensei nisso". Poucos pais sabem da importância de monitorar a pressão arterial dos pequenos. "A falta de informação começa entre os pediatras", lamenta a nefrologista Vera Kock, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo. De fato, nas consultas de rotina costuma-se pular esse exame. "O correto é checar a pressão dos maiores de 3 anos a cada visita ao médico."
O cuidado se justifica: a hipertensão não é nada incomum na infância. Uma pesquisa recém-concluida da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), feita com 1 450 garotos entre 6 e 18 anos, revelou que 12% deles estavam com pressão acima do normal. Outro trabalho, realizado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) com 1 053 crianças, chegou ao mesmo índice. Tudo isso será revelado à comunidade científica ainda este mês no Congresso Brasileiro de Cardiologia Pediátrica, em Recife, Pernambuco. No encontro, especialistas de todo o país vão debater a prevenção de doenças cardiovasculares - hipertensão inclusive desde a mais tenra idade.

Como se mede a pressão arterial da meninada

Esqueça o 12 por 8, parâmetro bem conhecido entre os adultos. "A pressão normal varia conforme a idade, o sexo e a estatura da criança”, explica Olberes de Andrade, nefrologista da Santa Casa de São Paulo. Por isso, os pediatras consultam uma tabela um tanto complexa. Para você ter uma idéia, uma pressão 10 por 6 é sinal de perigo para um garoto de 3 anos, mas está na faixa da normalidade para uma menina de 12 anos.

Muitos pediatras nem têm o aparelho específico para medir a pressão da criança

Quando a pressão de uma criança vai às alturas, é preciso investigar. "Pode se tratar de um estreitamento congênito na aorta ou nas artérias renais ou, ainda, nas das supra-renais", esclarece a médica Ieda Jatene, diretora da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). Essa malformação, que dificulta a passagem do sangue e eleva a pressão, costuma ser detectada na primeira infância e, geralmente, só é resolvida com cirurgia. O que preocupa os especialistas, porém, é a chamada hipertensão essencial, que surge provavelmente por tendência genética.
O consenso diz que essa forma de hipertensão dá as caras depois dos 12 anos. Mas até isso está sendo questionado: alguns médicos já a diagnosticaram em pacientes de 6 anos em diante. "É o início da doença cardiovascular", resume a cardiologista Isabela Giuliano, autora do trabalho da UFSC. A médica se refere à síndrome metabólica, um temido pacote que engloba pressão alta, colesterol e triglicérides alterados, diabete tipo 2 e obesidade. A pesquisa desenvolvida pela UFMG confirmou essa relação. "Crianças acima do peso têm quatro vezes mais probabilidade de sofrer de hipertensão", revela o cardiologista Robespierre Ribeiro, líder da equipe mineira.

Mudança de hábitos já

Para evitar o pior - infarto, derrame e problemas renais na infância, porque, sim, crianças hipertensas também correm o risco de ter males tão associados à idade adulta -, é preciso controlar a pressão arterial sempre. E, se ela estiver alta e for um caso de tendência genética, o principal alicerce do tratamento será a adoção de um estilo de vida saudável, com natação, corrida e esportes coletivos.
A dieta também precisa de ajustes. "Inclua no cardápio dessa criança alimentos hipotensores, como alho e banana, que ajudam a baixar a pressão", sugere Isabela Giuliano. "Também reduza o sal e a gordura." Poucos pacientes mirins precisam de remédio. "Mas, se for necessário, adaptamos as doses de medicamentos como diuréticos e betablo-queadores", afirma Vera Kock.


17/07/2008