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Meditação transcendental diminuiu as mortes por câncer

Revista Saúde
N° 263, ano 2005
Imagem cedida pelo Site Corbis
Os números impressionam. Comparada com os efeitos produzidos apenas por medicamentos, a meditação transcendental diminuiu em 49% as mortes por câncer, em 30% as decorrentes de problemas cardiovasculares e em 23% as provocadas por doenças em geral.

O estudo, publicado no prestigiadíssimo periódico American Journal of Cardiology, durou nada menos do que 18 anos e foi feito com 202 homens e mulheres idosos e hipertensos que se dedicaram a essa prática sistematicamente.

Duas vezes todo santo dia, durante 20 minutos - nada, além disso. Note que o estudo se refere a meditação transcendental. Uma entre as cerca de 6 mil técnicas meditativas existentes no mundo. Não que as demais não sejam eficazes.

São e isso já está mais do que comprovado. "Todas causam um estado de relaxamento psicofísico". Explica Roberto Cardoso, professor do Curso de Especialização em Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O que diferência a transcendental das demais e, além da simplicidade, a rapidez de seus efeitos. "Ela age de forma surpreendente desde os minutos iniciais, permitindo que o corpo descanse duas vezes mais do que durante o sono", afirma Robert Schneider, diretor do Centro de Prevenção e Medicina.

Natural da Universidade Maharishi, em Iowa, nos Estados Unidos, e um dos , principais autores da pesquisa. Relativamente nova, foi criada há cerca de 40 anos por Maharishi Mahesh Yogi, que se tomou famoso depois de virar o guru dos Beatles.

Diferentemente de outras técnicas, a meditação transcendental não tem cunho religioso nem requer rituais ou a repetição de complicadas palavras em sânscrito, língua indiana predominante em religiões como o budismo e o hinduísmo.

Basta se sentar - e não precisa ser na clássica posição de lótus - e meditar, sem a necessidade de total isolamento. No chão ou numa cadeira, num sitio bucólico ou numa movimentadíssima avenida, não importa, a resultado e o mesmo, desde que, e claro, você se mantenha numa posição que não force os ossos nem os músculos.

Segundo especialistas, o corpo e a mente entram num estado de relaxamento profundo que ajuda a eliminar o estresse. "Ao permitir ao corpo esse descanso, a inteligência interna desperta e restaura o que estiver em desequilíbrio", explica Schneider.

Traduzindo em miúdos, a meditação faz aurnentar às ondas alfa no cérebro, relacionadas ao relaxamento. Nesse estado, cai o consumo de oxigênio, desaceleram-se os batimentos cardíacos e o metabolismo inteiro diminui.

Em outras palavras, o organismo gasta menos energia para funcionar. "Isso representa um tremendo repouso", diz Cardoso. Sem contar que a prática regular reduz o estado de alerta permanente - aquela mania que a gente tem de estar sempre ligado em tudo - e manda embora a ansiedade.

"Depois de dois ou três dias, já dá para sentir maior serenidade interior", garante Markus Schuler, professor da Sociedade Internacional de Meditação Transcendental, em São Paulo.

Meditar significaria então, a cura de todos os males? Para o acupunturista Norvan Martino Leite, de São Paulo, esse é um treinamento mental que pode ajudar a debelar muitas doenças.

"Não existe técnica milagrosa", diz ele, que ensina um método meditativo chinês aos seus pacientes. “A pratica regular cria condições para resolver os problemas e, assim, melhorar a saúde”, afirma.

Na raiz de grande parte das doenças estaria o estresse, que, como se sabe, dá maus frutos. "Ele aumentar o desequilíbrio de hormônios, como o cortisol, que inflama as artérias.

Isso causa hipertensão e pode resultar em derrames e ataques cardíacos", resume Robert Schneider. A meditação transcendental, utilizada no estudo, confirmou algo que os cientistas já suspeitavam: ela contribui ate para evitar o acúmulo de placas gordurosas nas artérias do coração, a temida aterosclerose.

Para a consultora de ambiente hospitalar Celia Cristina Catenaccio, de 50 anos, a prática da meditação foi decisiva para vencer um tumor alojado no cérebro. "Só consegui enfrentar 13 cirurgias seguidas por causa dela.

Um dia, depois de uma operação de 12 horas, já me levantei da maca para meditar. Graças a isso, consegui reduzir minha internação em 12 dias. Se não fosse a meditação, eu não teria suportado”.


13/06/2008